terça-feira, 22 de maio de 2012

EM NOME DO PAI E DO FILHO

De agora em diante eu terei que reaprender a viver. Terei que trilhar novos caminhos. Terei que esquecer o passado. Terei que esquecer as vítimas da minha ira. Errei, errei muito. Tentarei de agora em diante... Não cometer as maldades e erros do passado. Sentado aqui... Nessa areia molhada, admiro as ondas do mar quase calmo. Parece que cada onda vem acompanhada de uma brisa suave... Suave... Quase percebo uma sintonia da brisa com as batidas do meu coração. Essas ondas me faz voltar ao passado. Um passado de conflitos... De vergonha... De covardia...
Eu era jovem e morava numa cidade pequena. Uma cidade conservadora... Uma época onde ainda predominava o conservadorismo... Eu sempre fui muito ligado a religião. So encontrava paz quando estava falando com Deus. Lembro muito bem que eu andava pela mata... Conversava com as árvores... Sentia me conectado com Deus quando estava na mata. Admirava cada inseto... Borboletas... Mas... A puberdade estava aproximando e os desejos na carne... Também. Sentia desejos por pessoas do mesmo sexo... Aquilo me deixava chateado. Não queria sentir o que sentia. Era... Angustiante. Eu era muito religioso e ouvia com frequência os sermões que eu tinha quase certeza que eram direcionados a mim. Tentava ignorar, mas eu sabia que Jesus tinha um plano para mim! Eu tinha uma missão. Eu captava essas informações nas missas e como um quebra cabeça que vai sendo montado... O meu já estava pronto! Finalmente eu sabia qual era a minha missão. Queria ser padre. Queria poder ajudar pessoas na minha situação... Queria dedicar minha vida a religiosidade. Queria ser aceito e respeitado pela sociedade. Queria de uma vez por todas ser “curado”, como diziam alguns religiosos, do mal que apoderava do meu corpo. Queria arrancar esses desejos demoníacos que insistiam em me perseguir.
Depois de muitas conversas com padres locais... Comuniquei minha família sobre minha decisão. Olhei para minha mãe.. Esperei que ela... Fosse contra, mas... Tanto ela como meu pai, ficaram felizes. Afinal, não tinham mais que ficar com vergonha do filho mal falado na cidade.
Fui para o seminário na capital. Logo no primeiro dia fui molestado por outro seminarista. Mas ainda assim encontrei forças para continuar. Queria servir a Deus. Essa era minha missão aqui na terra. Resisti as tentações da carne... Dediquei a leitura da bíblia... Li tudo que meus superiores me indicaram. Horas intermináveis de orações...
Finalmente tornei me padre. Estava feliz. Sabia que tudo iria ficar bem daquele momento em diante. Sentia-me livre de todo aquele mal que me apavorava. Comecei ministrando em pequenas cidades. E com uma ideia na cabeça... Aos poucos, inseri nos sermões as famosas passagens bíblicas anti-gay. Num estudo minucioso... Descobri que são várias passagens. Comecei sutilmente. Depois de algum tempo, ja me sentia um enviado de Deus para combater esse mal que tentava destruir a sociedade... A família... A moral! Mesmo sendo reprovado pelos meus superiores... Eu atacava com veemência a homossexualidade! Virei um ativista anti-gay. Em nome do pai e do filho, em nome de Deus e de Jesus, eu queria que todos fossem curados desse mal! Nunca perdia a oportunidade de atacar esse mal! Muitas, muitas vezes eu mesmo criava essas oportunidades! Eu não respeitava nem velórios! Sempre dava um jeito de alfinetar esses... Essas pessoas! Acreditava que essa era minha missão: Curar esses indivíduos do mal da homossexualidade! Naquela época era fácil. Eu tinha o apoio de toda a comunidade. Também tinha o apoio dos pais das vitimas desse mal! Então... Deus estava comigo, Jesus estava comigo... A sociedade estava comigo! Sentia como se fosse um guerreiro de Deus! Poderoso! Eu estava protegido. O livro sagrado me guiava! Ele dizia para eu não aceitar essas pessoas perversas! Então... Não tinha nada de errado já que eu estava falando em nome de Deus!
Lembro a primeira vez quando fui abordado por uma mãe... Ela se queixava que eu era o responsável pelo suicídio de seu filho adolescente. Eu disse a ela que suicídio era obra do demônio e que eu não tinha nada a ver com aquilo. Vários outros casos semelhantes aconteceram nas cidades em que eu estive ministrando. Eu sempre era transferido de cidade para que ninguém percebesse que o numero de suicídio de adolescentes aumentavam sempre que eu estava naquele lugar combatendo o mal dos gays.
Por várias vezes meus superiores alertaram-me sobre a minha... “Luta” contra a comunidade gay em geral. Eu argumentava usando as passagens anti-gay que estão na bíblia. Eu sempre os calava. Eles não podiam dizer que a bíblia estava errada, então... Eu sempre vencia as várias discussões com os membros do conselho.
Muitos anos se passaram. Eu continuava com a minha missão. Já havia um inquérito policial contra mim. Muitas mães e pais tentavam provar que meu discurso era responsável pelas mortes dos seus filhos. Os pais me acusaram de ser culpado pelos suicídios de jovens gays adolescentes. Por todas as vezes... Eu ganhei a causa. Não podiam provar que os suicídios estavam ligados aos meus discursos.
O caso tomou proporções maiores e fui gentilmente expulso da congregação católica. A igreja católica nunca aprovou inteiramente meu modo de pensar e agir. Já era hora, estava cansado de ter que da satisfação aos meus superiores. Precisa continuar minha missão. Logo fui convidado para ser pastor de uma igreja evangélica. Disseram que me dariam amplo apoio para continuar minha batalha. Por sugestão dos meus superiores, casei-me. Ficaria apresentável e respeitado sendo casado. Minha esposa? Tinha traços... Masculinizados. Agora estava completo! Vivia da maneira que Deus aprovava! Tínhamos problemas... Mas... Na madrugada... Aquela hora que sabemos que estamos sempre... Mais dispostos, eu fazia meu papel de marido. Todo homem sabe que na madrugada... Estamos mais... Propensos... Enfim, que nosso instrumento de fazer bebes esta pronto para o ato sexual, mesmo sem vontade de fazer sexo. Minha esposa? Ela não fazia questão de sexo. Então... Estávamos fazendo o que as escrituras nos mandavam! Estávamos bem perante Deus. Não devíamos nos preocupar com os outros desejos... Mundanos.
Tinha em minha suntuosa casa um quarto especial... Meu santuário. Haviam imagens de Jesus... De muitos santos. Muitos utensílios de tortura. Eu os usava sempre que voltava a sentir aqueles desejos pecaminosos por pessoas do mesmo sexo. Nunca deixava minha esposa entrar la. Eu sabia que a igreja que eu frequentava não usava imagens... Mas ali era meu mundo, minha casa...
Tínhamos um programa de tv semanal. Eu sempre encontrava uma maneira de inserir nos meus sermões e o meu ponto de vista em relação a comunidade gay e ao comportamento gay em geral. Agora eu tinha liberdade para quase tudo! Por algum tempo tudo estava indo bem. Mas comecei a desentender-me com a congregação evangélica pelos mesmos motivos que na católica. Fui também expulso da igreja evangélica.
Decidi que era hora de ter minha própria igreja! Fundei minha própria igreja! Agora sim, eu era realmente poderoso! Deus estava conectado comigo! Tudo estava indo muito bem. A nossa igreja expandia... Os lucros, eram exorbitantes! Estava com Deus e ainda tinha dinheiro a vontade para gastar com tudo que eu podia imaginar! Mesmo parecendo que tudo estava bem, não estava! Tinha a questão daquelas mães que criaram uma associação e não paravam de me perseguir! Desde que eu era padre elas me perseguiam! Ganhei em primeira instancia um processo que elas tinham movido contra mim. Afinal, Deus sempre vence! O poder sempre vence! Eu estava com o poder de Deus! Ninguém podia nada contra mim!
Aquelas mães recorreram da sentença. Eu pressentia que elas estavam mais fortes, mas já venci algumas vezes, não será desta vez! Deus esta comigo! Enquanto a justiça não age...
Apesar das torturas no meu quarto sagrado, não conseguia esquecer meu lado mundano. Meus desejos da carne estavam mais aflorados que antes. Não conseguia controlar essa abominação que insistia em possuir meu corpo! Eu sei que isso não passa de coisa do diabo! Eu sei disso!
A carne é fraca... Acabei procurando lugares sórdidos para saciar meus desejos mundanos. Frequentava saunas... Inferninhos... Tudo quanto é buraco onde gays frequentam... Eu estava la! Quando voltava para casa.... Tomava banho demorado com buchas ásperas como quem quer retirar um mal do próprio corpo. Esfregava meu corpo ate sair sangue! Chorava... A ideia de ter feito sexo com homens... Me destruía! Sentia nojo de mim! Após o banho, eu ia para o quarto sagrado onde tinha uma enorme imagem de Jesus. La dentro, eu usava todos os objetos de tortura me condenando pelos meus atos pecaminosos. Chorava aos pés da estátua de Jesus... Implorava para que ele tirasse aquele demônio que me levava para o mau caminho.
Chegou o dia “D”. O grande júri... Centenas de mães com olhar de perda... Muitos simpatizantes da causa... E o juiz da o veredito: CULPADO! Fui condenado a 5 anos de cadeia! O grande júri entendeu que fui indiretamente responsável pelas suicídios dos adolescentes gays.
Na cadeia... As coisas não foram boas. Aqueles presidiários sabiam que eu fui responsável pelas mortes dos jovens e tive que me submeter às leis da carceragem: A cada vez que eu era molestado na cadeia... Eu lembrava das dezenas de jovens que cometeram suicídio por causa dos meus discursos/sermões. Eu lembrava do semblante das mães nas audiências... A cada vez que abusavam de mim na cadeia... Eles usavam palavras... Como: Sou poderoso! Posso tudo e você nada! Aqueles caras... Usavam palavras esdrúxulas enquanto... O poder... Sempre o poder...
Na cadeia, tive acesso a internet e estudei... Pesquisei... Queria encontrar explicações para meu... “mal”, para minha homossexualidade. Não podia mais fugir dessa verdade que me apavorava. Não podia mais conviver com tanta culpa. Por causa dessa culpa, fiz muito mal a muitas pessoas. Vasculhei todo o universo da leitura e do conhecimento. Li tudo que fui proibido de ler até então... Pesquisei sobre as CENTENAS de religiões que existiram e existem. Cada religião jura que seu livro sagrado é o verdadeiro. A arrogância e a pretensão do homem em achar que conhece Deus... Não tem limites! Visitei sites ateus... Conferi contradições... Depois de centenas de horas... Pesquisando, descobri finalmente que tudo na terra, no universo, é sagrado! Tudo, absolutamente TUDO é sagrado! Tudo que não faz mal ao próximo é sagrado! Agora sim, agora realmente sinto me CONECTADO com Deus! Viva a minha sagrada homossexualidade!
Hoje posso entender claramente o que acontecia. Eu fui o responsável pelos suicídios daqueles jovens. Queria mascarar minha homossexualidade atacando os gays. Fui um covarde. Eu odiava os gays porque eu não tinha a vida deles. Eu tinha inveja deles. Lamento tanto... Eu sei que nada irá mudar o que aconteceu. Tentarei de agora em diante fazer algo para amenizar os males que cometi. Tornarei me um militante da causa LGBT.


Nunca é tarde para pedir perdão.


Escrito por Heliomar Melo

(obs.: historia/narração fictícia, qualquer semelhança e mera coincidência.)

sábado, 12 de maio de 2012

VESTÍGIOS DE OUTRAS VIDAS

Via coisas.... Via vultos.... Quando estava dormindo sentia que tocam meu corpo... Muitas vezes assopravam meu rosto. Com muita freqüência eu via reflexo rápido de algo... Alguém quase invisível que saia de frente da geladeira e ia em direção a saída do pequeno apartamento. Algumas vezes podia quase garantir que via uma mãe ajeitando a roupa de uma criança. Outras... Percebia que alguém estava na cozinha lavando as vasilhas... Os assovios... Algo extraordinário parecia acontecer no apartamento no coração de Copacabana. Tenho a impressão que existe um mundo paralelo a minha volta. Coisas acontecem... Não da para ignorar! Sinto que um mundo paralelo existe.
Sinais estranhos... Movimentos quase imperceptíveis para os humanos comuns... Não para mim. Não sei explicar, mas posso quase garantir que consigo perceber um mundo paralelo a minha volta. Seria como uma dimensão paralela? Isso mesmo! Como se pessoas vivessem ao nosso lado... Na nossa casa... Usando todos os cômodos... Os utensílios domésticos... Quase posso perceber uma rotina fantasmagórica em plena atividade!
Minha esposa não acreditava quando eu comentava sobre isso. Eu sempre comentei, mas percebia que ela não queria muito continuar aquela conversa. Ela ficava assustada. Então... Eu ignorava o movimento dos fantasmas.
Todos os dias eu tentava disfarçar e fingia que não via as atividades da família fantasma que vivia conosco. Com o passar dos tempos... Pude perceber que as aparições dos fantasmas se intensificavam quando eu recebia meus 3 amigos de infância em minha casa. Percebia um clima de extrema inquietude no ar. Os fantasmas pareciam mais agitados... Eu percebia que eles quebravam coisas... Ao mesmo tempo eu tentava disfarçar essas percepções para que minha esposa não percebesse o meu nervosismo. Conversava com meus amigos de infância... Podia perceber que minha esposa também estava inquieta. Eu estava alegre com meus amigos de infância. Falávamos do nosso segredo. Rsrrss... Tínhamos um segredo. Sem que minha esposa percebesse... Um deles me perguntava sobre a Judite. Quem era a Judite? Não quero falar claramente, mas era uma situação... Hummmmm... Meio animal! Rsrsr Sabe aquelas besteiras que fazemos na infância? Pois é, uma delas! Rsrsr Uma coisa que aconteceu no pasto de uma fazenda.
Conversa vai... Conversa vem... Minha esposa com aquela cara que já conheço muito bem. A família paralela? Os fantasmas? Mais agitados ainda! Quase não consigo disfarçar! Logo meus amigos perceberam que o clima não estava bom e já foram se despedindo.
Sempre era a mesma coisa: Depois que eles saiam minha esposa insistia em falar que não gostava dos meus amigos... Que tinha algo errado com eles... Sempre brigávamos pelo mesmo motivo: Meus amigos de infância. Ella implicava com eles. Ela tinha ciúmes. Saia com eles regularmente . Ela sempre disse para que afastasse deles. Achava exagero da parte dela. Certo dia fomos jogar bola, eu e meus 3 amigos. Estava divertido a partida de futebol... Eu estava feliz. Eu convenci minha esposa a ir comigo. Ela estava la... Sentada, me admirando. Podia ler nos olhos dela: Ele é meu homem. Ele é o amor da minha vida. rsrs Voltei a prestar atenção no jogo. Pisquei pra ela e disse sussurrando que a amo. Ela fez um gesto pondo as duas mãos no coração. Rsrs Opa, quase perdi o lance. rsrs O jogo estava animado.quando fui marcar um pênalti... Algo extraordinário aconteceu! A mulher... O fantasma que sempre vejo em casa cruzou o gol! Fiquei estarrecido! Todos gritavam para eu chutar! Eu não conseguia! Estava perplexo com a imagem da mulher! Ela me olhava com um olhar diabólico! Eu via seu semblante... Ela me olhava como que me cobrando alguma coisa. Disseram que desmaiei em seguida. Quando acordei em casa, minha esposa estava me indagando sobre o que teria acontecido. Ainda atordoado com a cena no campo de futebol, falei pra ela o que eu havia visto. Ana segurou minhas mãos, olhou dentro dos meus olhos e disse: Amor, não sei como explicar, mas essas aparições estão ligadas aos seus amigos. Não tenho bons pressentimentos quando eles estão por perto. Por favor, afaste se deles!
Não dei ouvidos a Ana, achava que ela sempre exagerava. A acalmei dizendo que não era nada. Podia ser minha imaginação. Claro que menti. Vi claramente a mulher que habitava nossa casa. Não tinha dúvida disso! As outras aparições eram reflexos rápidos, mas nos últimos tempos Parecia tão real! As aparições eram mais frequentes sempre que eu estava com meus amigos. Precisava fazer alguma coisa. Não estava mais conseguindo ter uma vida normal com aquela família fantasma em minha casa... Quase que interagindo comigo. No meu trabalho... Outras vezes ouvia o choro da criança... Era angustiante. Não conseguia mais viver aquela vida dupla. Era dessa maneira que eu me sentia. Eu tinha que fazer alguma coisa! Aquilo não estava acontecendo atoa. Por alguma razão fui escolhido. Detesto admitir, mas minha esposa estava certa. Meus amigos tem algo haver com isso tudo.
Lembro muito bem como conseguí alugar esse apartamento em que moro. Por alguma razão fui atraído para esse apartamento. Lembro que antes de morar aqui, liguei para um amigo muito querido. Eu queria comprar uma camisa de cor cinza. Ainda por telefone, ele disse que eu tinha muita sorte. Ele tinha uma camiseta cinza para me dar. Achei muita coincidência, mas... Queria mesmo ver meu amigo. Conversamos... E em seguida, algo estranho aconteceu. Podíamos ouvir passos! Sim! Passos! Como se fossem pessoas andando pela casa em plena luz do diz! Acabamos deixando esse episódio de lado. Meu amigo falou da perda de um grande amigo dele. Aliais, a tal camisa era do falecido. Não me incomodei. Aceitei a camisa. Conversa vai... Conversa vem... Falei pra ele que havia casado e que estava procurando um apartamento em Copacabana. Ele me falou de um apartamento que desocupou recentemente. Duas coincidências. A camisa e agora o apartamento. Será que fui atraído ate la? Será que houve uma comunicação entre os mortos para que eu estivesse nesse apartamento? Não via nenhuma conexão da família de fantasmas que habitam meu apartamento com o falecido amigo do meu amigo. Enfim, ninguém entende o mundo dos mortos. No meu jeito leigo de ver isso... Acho que o mundo dos mortos é apenas uma das dimensões.
Já tinha uma ideia por onde começar. Queria minha vida de volta. Comecei a investigar os meus amigos. Eles moravam juntos numa casa meio isolada num bairro esquecido pelo poder publico. Sempre estranhei o fato de eles ainda estarem solteiros. Não era fácil para eu ter que fazer isso. Afinal de contas, tínhamos um pacto de amizade eterna. Fizemos um juramento de sangue quando éramos adolescentes. Em volta de uma fogueira... Com a lua cheia, Nós três picamos nossos dedos indicadores com uma agulha, unimos os três dedos e fizemos um juramento de amizade eterna. Lembro muito bem das nossas brincadeiras. Entrávamos em galões... Galões grande e descíamos ladeira abaixo.Rsrs ... Também usávamos pneus enormes. Andávamos em cima deles... Brincávamos de pique esconde... De Tarzan na selva! Rsrs Sempre caíamos dos cipós! Rsrs... Sabem quando sentimos que nossos amigos são como irmãos? Pois é, era essa sensação que eu sentia. Nossa infância foi maravilhosa. Meu coração estava apertado. Esperava não encontrar nada contra meus irmãos. Ao mesmo tempo... Meu pressentimento era de que algo grande e podre estava por acontecer.
Naquela manhã despedi de minha esposa quase que chorando. Ela... Passou a mão na minha cabeça me dando força. Já tinha combinado com ela que iria a casa dos meus amigos. Precisava investigar. Não podia mais continuar com aquela dúvida e também não queria mais aquela vida de convívio com fantasmas me cobrando algo que eu não sabia o que era.
Chegando la, percebi que não havia ninguém na casa. Entrei. Parecia uma casa normal. Achei muito bem arrumada por ser de rapazes solteiros. Vi fotos nossas, de nossa infância... Olhei por toda a casa e parecia tudo normal. Olhei... Olhei e percebi que um espelho estava meio fora do lugar. O espelho era do tamanho de uma porta. Aproximei. Na verdade o espelho era uma porta. Uma porta secreta! Havia algo errado! Entrei por aquela passagem secreta. Desci uma escada. Passei por um túnel estreito. Estava com muito medo. Algo estava por acontecer. Logo vi um clarão. Podia ouvir gritos. Gritos de uma mulher! Fiquei apavorado! Fui andando... Os gritos ainda mais altos. Quando cheguei num salão grande... Escondi atrás de umas caixas que estavam próximas. Não acreditei no que estava vendo! Os três amigos estavam torturando a mulher! Meu Deus! Aquilo não podia estar acontecendo! Meus irmãos... Torturando uma pessoa? Que monstros! Tentava não fazer barulho. Não conseguia conter minhas lágrimas. Enquanto torturavam a mulher, eles tiravam fotos e filmavam. Abusavam sexualmente dela...
As caixas caíram! Eles me viram. Me pegaram, me amarram. Disseram que eu seria o próximo a morrer. Que estavam decepcionados comigo.Que eu podia muito bem ter ficado queitao. Que lamentava mas teriam que me matar também. Me doparam... Eu ouvia de longe os gritos daquela mulher. De repente ouvi uma grande explosão! Fumaça por todo lado! Era a policia! Minha esposa havia chamado a policia. Prenderam os três. Ainda conseguiram salvar a mulher que estava sendo torturada.
Já em casa... Arrasado... Minha esposa me contou que a mulher fantasma apareceu para ela e a guiou até a casa dos assassinos. No caminho ela chamou a policia.
Depois de algum tempo.... Uns meses, a policia mostrou a imprensa todo o material recolhido na sala de tortura. Todas as filmagens, fotos... E surpreendentemente vi fotos da mulher fantasma e de seu filho! Meu amigo, aquele que me deu a camisa cinza, confirmou que o amigo dele também estava nas fotos. A policia disse que estava a procura desses assassinos há muito tempo. A policia investigado uma serie de assassinatos. Todos os indícios apontam para eles. Meus irmãos... Assassinos em serie? Meu Deus, eu quero morrer!!!
Incrível! Fui escolhido para desvendar os crimes. Agora entendo minha ligação com os fantasmas. Agora eles me deixarão em paz. Tenho certeza.


Sinais além túmulo.


Escrito por Heliomar Melo

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

UM ESTRANHO EM MINHA MENTE

Alguns dias depois que escrevi sobre o lago, fui procurado por um senhor de cabelos brancos. Ele me disse que gostou do que escrevi numa dessas redes sociais sobre um evento que aconteceu num lago congelado. Era sobre a obsessão de uma pessoa para se tornar um artista famoso. O que escrevi sobre o lago: Tento de todas as maneiras me tornar um artista famoso. Algo dentro de mim pede o tempo todo que eu me torne um artista. Coisas estranhas já me aconteceram. As lembranças de um lago congelado não me deixa em paz. Sonho com esse lago o tempo todo. Muitas vezes tenho lembranças desse acontecimento. Algumas vezes sao apenas sonhos outras... Lembrancas. Passo mal e fico sem ar. Vejo em meus sonhos e nas minhas lembranças: Vejo um artista dentro de um lago congelado. Uma espessa camada de gelo o impede emergir. O jovem artista está preso dentro do lago e não consegue sair. Ele procura uma saída... Bate forte na grossa camada de gelo e não consegue sair do fundo daquele lago congelado! La de dentro ele consegue ver pessoas andando sob o gelo acima dele. Ele grita! Grita e ninguém consegue vê-lo! Um nome esta presente nesse acontecimento, Fred. Alguém gritando Fred! Fred! Posso quase ter certeza que ouço esse nome martelando em minha mente o tempo todo! Não conheço ninguém com esse nome. Interpreto esses sonhos, memórias, como... Um artista querendo um lugar ao sol. Um artista querendo ser famoso! Sair no fundo do lago, significa sair do anonimato. Ao mesmo tempo... Acho que minha mente cria tudo isso.
O senhor de cabelos brancos é uma pessoa muito importante de uma das principais emissoras de TV do pais. Através dele... Cheguei onde estou. Sou famoso. Sou ator e roteirista e estou me preparando para ser colaborador em algumas series para TV.
Minha gaiola de ouro... Minha mansão.... Minha esposa linda.... Tenho tudo que sempre sonhei. Estou feliz?.... Estou. Sempre pertenci a esse mundo. Na minha mente... O tempo que vivi no anonimato foi uma aventura. Meu mundo sempre foi esse. Tudo isso estava presente em minha mente o tempo todo. Lembro a primeira vez que entrei num estúdio. Tudo era familiar para mim. Eu reconhecia tudo a minha volta. Era como se eu tivesse... Freqüentado aquele lugar. Os profissionais a minha volta ficavam admirados como eu entendia de quase tudo! Me sentia em casa! Sr Jose, O senhor de cabelos brancos, estava sempre me observando e me admirando. Sentia que a minha presença fazia bem a ele. Talvez eu lembrasse alguém importante em sua vida. Achava estranho ter me ajudado, mas eu acreditava no meu talento. Sr Jose sempre me convidava para sairmos... Ele adorava falar da sua amada. Sempre vinha com fotos dela e as vezes de maneira insistente me mostrava. Não entendia porque aquele senhor sempre me mostrava fotos da sua esposa. Algo enigmático em seus gestos me deixava pensativo. Havia algo que ele parecia esconder. Eu pensava: Sei la, pode ser apenas imaginação minha, afinal, eu tinha imaginação muito fértil. Rsrs Por isso era roteirista! Rsrssrs
Naquela semana eu tinha uma folga de uns 3 dias. Ele me convidou para irmos ao Jardim Botânico. Disse que sua esposa iria e estava ansiosa para me conhecer. Pontualmente eles chegaram em frente ao portão principal. A esposa dele me cumprimentou e... Estranho, ela, me abraçou tão forte.... Tão forte.... Parecia não querer me largar. Discretamente, Sr Jose fez um gesto a ela reprovando sua atitude. Eu fingi que não vi. Os olhos dela lacrimejavam. Houve um instante de silencio até que Sr Jose, nos apressou para entrarmos. Ela não se conteve, segurou minha mão. Não me importei, eu adoro pessoas idosas. Ainda vi Sr Jose balançando a cabeça reprovando mais uma vez o gesto da sua amada. Ela balançou os ombros como que não estava nem ai para sua censura. Ela era tão fofa... Dava vontade de pegar em suas bochechas. Rsrs Passeamos.... E em uma sorveteria, ela decide que deveríamos tomar um sorvete. Ela já foi logo dizendo: O seu é de coco-queimado, certo? Eu disse sim. Fiquei indagando com meus pensamentos: como ela sabia que gosto de sorvete de coco-queimado?
Fiquei observando os dois. Eles me olhavam... De maneira... De um jeito doce. Após o sorvete andamos mais um pouco e paramos em frente ao lago onde tinha a famosa vitória-régia. Ela começou a me contar uma lenda sobre a vitória-régia. Dizia ela que um barco naufragou próxima a Amazonia e... Sem querer me intrometi e disse que os náufragos se salvaram por que haviam varias vitórias-régias próximo ao local e todos transformaram as plantas em jangada e se salvaram. Me desculpei em seguida. Ela não se importou. Ficou surpresa por eu saber o resto da sua estória. Os dois estavam encantados. Via felicidade em seus olhos. Já era tarde, tínhamos que ir embora. Eles me convidaram para irmos ao Parque Lage qualquer dia desses. Eu concordei. Dona Mirtes me abraçou forte novamente. Senti que ela não queria me largar. Era como se ela tivesse medo de não me ver novamente. Sr Jose mais uma vez sutilmente a retirou dos meus braços. Os olhos dela encheram de lagrimas enquanto nos afastávamos.
Naquele dia voltei para casa muito intrigado. Não entendia porque uma pessoa que eu nunca havia visto, sentia... Afeição por mim? Acabava esquecendo, tiinha muito trabalho. Precisava me concentrar. Ao mesmo minha esposa estava muito agitada. Insiste que sou duas pessoas. Insiste que um outro EU aparece com freqüência. Ela chega ao cúmulo de me perguntar o que quero para o café da manha... Para o almoço... Jantar... Ela afirma que cada um gosta de coisas diferentes. Ela conta também que na cama os dois são completamente diferentes!
Além dos problemas com minha esposa.. Sentia falta da anonimidade. Queria passear pelo calçadão de Ipanema sem que ninguém me observasse. Me sentia uma espécie de alvo. Todos olhando para o alvo! Era assim que me sentia! Estava pagando o preço da fama! Afinal, na vida se faz escolhas, nunca podemos ter tudo. Uma vez famoso... Não tem retorno! Você será sempre o alvo! Não importa se a fama acabar, você será sempre reconhecido por alguém! Holofotes... Holofotes... Eu procurei isso! Quando se é famoso e rico... Não sabemos quem é amigo de verdade... Não sabemos quem aproxima por amizade ou apenas para pegar carona na nossa fama... Os antigos amigos? Eles não pertencem mais ao nosso novo mundo e não gostam do insistente assedio de paparazzis. Eles gostam e preferem ficar no anonimato.
Não queria admitir, mas minha esposa estava certa. Tenho quase certeza que sou famoso por causa do meu... Outro eu. Ele me colocou aqui! Tenho quase certeza disso! Sentia a presença dele o tempo todo! Sinto que ele esta feliz agora. Também deixo claro que minha vontade prevaleceu. Eu também queria ser artista.
Muito antes dessa historia começar.... Muito antes de eu me tornar famoso, tinha que conviver com acontecimentos sobrenaturais. So cheguei onde cheguei, por causa dele. Voltemos ao passado, bem antes de eu ser famoso: A primeira vez foi aterrorizador. Nesse dia eu senti que portas secretas da minha mente foram abertas. Algo realmente aterrorizante me aconteceu.
Naquele dia deitei de barriga para cima. Estava quase dormindo, quando senti um formigamento nos meus pés. Não dei muita importância. Mas o formigamento continuou subindo para minhas pernas, nesse momento senti a presença de algo. Eu podia sentir que algo estava tomando posse no meu corpo. Aos poucos, como.... Como um leque que vai abrindo até chegar a base, algo tomava posse do meu corpo! Estava sonolento, mas não estava dormindo! Tenho certeza disso. Eu estava com medo. Muito medo! Tentei dormir novamente, mas aquela mesma situação começou, e eu despertava. Não podia dormir. Todas as noites a mesma coisa. Outras vezes essa coisa infiltrava no meu corpo murchando o lençol. Como ... Quando retiramos o vácuo dos alimentos para congelar.Tinha outras que essa sensação... Vinha da parede a minha direita. E todos os dias, ou todas as noites, essa sensação aparecia.
Não dei muita importância a esses eventos. Precisava continuar a vida. Estava fazendo de tudo para me tornar um artista famoso. Queria isso mais que o ar que respiro. Sentia que precisava voltar para casa. Voltar para o meio artístico significava voltar para casa. Eu tentava viver como um simples cidadão... Mas algo mais forte me empurrava para o mundo artístico! Na minha mente uma frase era constante: preciso voltar para casa. Preciso voltar para casa.
Participei de muitas redes sociais... Tentava a todo custo sair do lago congelado. Precisava romper a grossa camada de gelo do imenso lago e emergir para a fama. Era dessa maneira que eu interpretava os sonhos sobre o lago. Nem acredito que consegui! Rompi o gelo!
Voltando ao encontro no parque Lage:
Mais uma vez encontro com meus padrinhos. As duas pessoas que patrocinaram meu sonho. Foi por causa deles que me tornei famoso. Alias, por causa da historia do lago. Algo estava correlacionado com o sonho do lago que narrei naquela rede social. Dona Mirtes... Do mesmo jeito. Passeamos.... Na hora de tomarmos um suco... Ela já se adiantou e pediu suco de tamarindo para mim. Ela já sabia que eu gostava de suco de tamarindo. Minha esposa... Que também estava no passeio, Sempre desconfiada....
Após o passeio no parque Lage, eles me chamaram para irmos conhecer a casa deles. Minha esposa não queria. Fiz cara de coitado e ela concordou.
Quando chegamos em frente a casa... Tudo era tão familiar... Mas eu nunca havia estado La! Não fazia sentido! Dona Mirtes foi preparar, um lanche. Relatou exatamente o que eu gostava de comer. Eu e minha esposa ficamos pasmos. Não conseguíamos entender nada! Ela cuidadosamente colocou os talheres da maneira que eu gostava, ao contrario. Ela parecia me conhecer muito bem! Parecia adivinhar meus pensamentos.
Após o lanche... Nos mostraram a casa e ao mesmo tempo, olhavam insistemente como que... Esperando alguma reação minha. Eu? Eu olhava para minha esposa sem entender. Não queria desagradá-los. Eram tão amáveis... O último lugar que eles me mostraram foi o quarto do falecido filho. Ate então não sabia que eles tinham tido filho. Não me contaram. Quando entrei... Não segurei as lágrimas. Não conseguia entender porque estava chorando! Era uma tristeza fora do comum! Não conseguia controlar o choro. Eles me abraçaram... Enxugaram minhas lagrimas e disseram: Fique calmo meu filho, papai esta aqui. Ela também disse que mamãe estava la. Fiquei meio.... Sei saber o que dizer. Por que eles me chamaram de filho? Porque parte de mim se sente tão bem? Comecei a gritar e perguntar o que estava acontecendo! Perguntei ao senhor: O que esta acontecendo? Porque vocês acham que sou seu filho? Já tenho pai e mãe! Alguns gritos depois... Me acalmei e aquele senhor me contou o que aconteceu.
Ele disse que foi atraído pela mensagem que postei naquela rede social. O que narrei sobre o lago... Tinha ligação com seu falecido filho. O sonho do lago... Na verdade, são memórias do seu filho Fred. Lembrei que ouvi esse nome várias vezes nos meus sonhos. Eu pensava que eram apenas sonhos. Não eram sonhos, eram memórias de outra pessoa!
Sr Jose disse: Meu filho Fred... Morreu afogado no lago congelado. Naquele dia gritamos desesperadamente pelo Fred! Ele tinha apenas 23 anos! Havia estudado bastante para ser ator e roteirista e também escritor. Morou um tempo na Inglaterra para aprender inglês... Sua estréia na TV já estava marcada para a semana seguinte a aquele passeio na Finlandia. Ele queria muito patinar no gelo. Ele estava muito feliz naquele dia! Ele disse que teria que aproveitar ao maximo aquelas férias porque teria muito trabalho pela frente! Ele tinha sede para ser famoso! Preparou para isso a vida inteira! Ele vivia correndo dentro dos estúdios... Tudo ele queria saber! Os corredores dos estúdios onde eu trabalhava... Era o seu parque de diversão! Ele era cria da TV! Nasceu para ser artista! Morreu de maneira tão trágica... Não encontramos o corpo.
Sr Jose disse que de alguma maneira seu filho encarnou em mim. Parte de mim é seu filho. Uma parte não consciente. Eles disseram que não sabem explicar, mas não tem duvida que eu também sou seu filho Fred. Por mais que eu duvidasse... Muita coisa fazia sentido. O sonho do lago... As suspeitas da minha esposa... Falava inglês com certa fluência sem nunca ter tido contato com estudos... Nem saído do pais. De alguma maneira eu atrai o espírito dele. A minha ânsia e obsessão para ser artista atraiu o espírito dele.
Após esse episodio, sempre saiamos. Eu gostava do carinho deles. Aos poucos meu fantasma foi afastando... Ate um dia que percebi que ele foi embora de vez! Ele cumpriu sua missão. Todos estávamos felizes. Colocávamos com certa freqüência flores no seu túmulo.

Última chance...


Escrito por Heliomar Melo


(historia fictícia qualquer semelhança é mera coincidência. As cenas onde o fantasma tenta ocupar o corpo do rapaz... Tenho quase certeza que eram verdadeiras. Aconteceu comigo em Londres. Narrei elas no post: EU E MEU FANTASMINHA QUERIDO; SOBRENATURAL ACONTECEU EM HACKNEY; ESTAÇÃO DE FANTASMAS. )

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

ORQUÍDEAS E LÍRIOS DO CAMPO

Sinto um vazio dentro do meu peito... Por mais que eu tente... Ainda não consigo acreditar no que aconteceu comigo. Ainda bem que meus fantasmas estão aqui. Engraçado, eu que nunca acreditei no sobrenatural... Agora vejo quase que nitidamente meus 3 fantasmas protetores. Graças a eles fui salva, salva de terminar como esse moribundo deitado nesse leito a minha frente. Tento me despir de todo rancor que sinto... Mas não sei se conseguirei. Meu coração está cheio de ódio. Esse homem que está morrendo a minha frente... Está levando parte de mim junto com ele. Sinto que parte de mim também está morrendo. O meu amor por ele era tão imenso... Como pude acreditar nele? Porque ficamos cegos com o amor? Como não consegui perceber toda a trama orquestrada por esse moribundo? Olho para esse infeliz com lágrimas falsas... E não imagino que “ isso”, foi um ser humano algum dia. Tenho vontade de arrancar meu coração por ter me enganado! Fui iludida! Como dói! Como dói a dor da traição! Não sei se terei forças para continuar a viver.
O que me conforta é a presença dos meus fantasmas protetores. Sinto a presença deles e quase posso vê-los nesse momento tão doloroso da minha vida. Nem acredito que já tive muito medo desses fantasmas. Lembro a primeira vez que os vi. Isso foi há 3 anos atrás. Os vi dessa maneira: Próximo a entrada da minha casa, eles estavam sempre em pé. Todos de Túnica branca. Eram 3 fantasmas descalços. Dois senhores e uma senhora. Não os via claramente. Via reflexos rápidos. Vi na primeira vez que seguravam flores. Senti muito medo na época. Não entendia porque eles apareciam para mim. As aparições continuaram, agora podia ouvir um sussurro lento. Uma palavra e... Em seguida... Orquídeas e os lírios do campo. Não conseguia entender a primeira palavra. Tudo era tão rápido... O medo tomava conta de mim... Acabava sempre esquecendo dessas aparições. Eu estava num momento tão maravilhoso da minha vida que não dei muita atenção à essas coisas. Eu estava muito feliz. Havia encontrado meu grande amor! Meu Deus, como eu estava feliz!
Voltarei um pouco mais ao passado para explicar esse acontecimento: Eu era uma moça pobre. Meu sonho era ser rica e freqüentar a alta sociedade. Minha ambição era ser uma socialite. Tracei planos... Não medi esforços para chegar onde eu cheguei. Lembro das minhas amigas... Das minhas verdadeiras amigas que deixei pra trás por causa da minha ambição. Lembro da minha melhor amiga reclamar que não poderia mais sair comigo porque eu so queria freqüentar lugares caros. Gastava todo o meu dinheiro em lugares caros para tentar encontrar um marido rico que realizasse meus sonhos. Fui deixando para trás muitas pessoas queridas. Elas não faziam parte do mundo em que eu queria tanto viver. Alguns supostos amores também ficaram para trás. Não queria mais contatos com pessoas pobres. Fui me infiltrando na alta sociedade. Várias atividades me aproximaram do mundo que eu almejava. Minha beleza ajudou. Fazia companhia a executivos... Freqüentava lugares caríssimos... Coquetéis... As oportunidades foram aparecendo... Fui abraçando tudo que vinha a minha frente. Namoros... Muitos namoros apenas por interesse. Não me prostitui, mas estive bem próximo disso. Eu sempre estava a procura de um homem rico. Jogadores de futebol... Artistas... Atacava por todos os lados! Não queria perder nenhuma oportunidade. Eu era articulosa... Estava o tempo todo tramando minha escalada a high society.
Depois de muita procura e muita luta encontrei o meu anjo que iria realizar meus sonhos. Casei com um senhor de idade avançada. Ele era extremamente rico e bem infiltrado na alta sociedade. Era influente, tinha Prestígio e notoriedade. Em pouquíssimo tempo me tornei uma das mais respeitadas socialites do Rio de Janeiro. “ Tudo” que planejei deu certo. Nem acreditava que havia chegado ali! De pobretona a rica e respeitada socialite! Festas... Coquetéis... Os convites vinham de todos os lados! Contato com artistas... Parecia um sonho!
Durante alguns anos aquele glamour me fascinava. A granfinada ajoelhava aos meus pés. Eu era adorada... Bajulada...
Aos poucos fui perdendo o entusiasmo... Já não gostava daquele mundo. Um pouco mais atenta... Já percebia a falsidade da maioria das pessoas a minha volta. Não gostavam de mim, eles gostavam da posição que eu e meu marido representávamos. Queriam apenas notoriedade. Já não tinha mais paciência para ouvir as frases típicas: Minha empregada... Blablabla; Meu carro último modelo... Blablabla; Viajarei para New York... Só uso marca tal... Outra muito sem graça, ela sempre usava palavras estranhas. Acho que ela ficava o dia todo pesquisando num dicionário. Rsrs Enfim, não tinha mais paciência para ouvir assuntos fúteis. Claro que nem todos eram assim, conheço muitas pessoas ricas que não se importam com futilidades.
Meu marido já estava ficando velho demais. A vida sexual... Nunca foi agradável. Mas... Esse era meu sacrifício. Afinal, não tinha planos para o amor. Na minha ambição não estava incluído o amor. Ele, meu esposo, esperto... Vivido... Vendo a minha juventude passar, sugeriu sutilmente algumas vezes que eu procurasse um profissional. Ele se desculpava por estar velho demais. Era uma pessoa generosa e maravilhosa. Ele me perguntar no começo da relação se eu o amava. Eu respondi que não. Expliquei o que queria. Ele gostou da minha sinceridade. Ele disse que fui a primeira a ser honesta com ele. O mordomo... Que figura engraçada. Rsrs Desde que fui morar na mansão... O mordomo sempre desconfiado! Rsrs Com o tempo ele percebeu que era boa pessoa... Até me ajudava num juramento que fiz antes de tudo isso. Jurei que quem realizasse o meu desejo, sempre estaria em primeiro lugar. Explico: O primeiro copo de vinho era sempre do meu marido. Essa era uma forma de eu pagar por ele realizar meu desejo. Meu marido as vezes cozinhava para mim, fazia pratos maravilhosos. Quando ele colocava meu prato, para que eu fosse a primeira a comer... O mordomo trocava os pratos a meu pedido. Queria que ele, meu marido fosse sempre o primeiro. E assim, sem que ele soubesse, o mordomo sempre trocava de lugar os copos... Os pratos.. As taças... Acho que no fundo era uma desculpa por não amá-lo. Era uma forma de me sentir bem com minha consciência.
Passados alguns anos... Ele acabou falecendo. Já era esperado. Ele estava muito velho... Adoentado... Eu estava sozinha. Procurei as antigas amigas, mas elas não quiseram aproximar. Disseram que já tinham outras amigas. Disseram que eu fiz minhas escolhas e que eu fizesse bom proveito do dinheiro que herdei. Afinal, eu era milionária. Milionária e solitária. Meus pais morreram há muito tempo. Uma Irmã... Também não quis amizade. Fiquei realmente sozinha. O que adianta ser milionária e estar sozinha? Afinal, para serve o dinheiro? Amizades falsas, eu não queria mais.
Sem ter o que fazer... Pedia ao meu motorista para me levar a qualquer lugar... Sem rumo... Gostava de ir sempre em lugares onde eu pudesse ver flores. Adoro flores.
Passaram-se dois anos. O mordomo... Era um amor. Era minha base. Ele... Sempre profissional. Cuidava de mim muito bem. Ele entendia qualquer olhar... Qualquer movimento que eu fazia. Ele me conhecia muito bem. Acho que o falecido pediu a ele para cuidar de mim. Dias mais tarde... Apareceu em minha porta um buquê de orquídeas. Depois... Um buquê de lírios do campo. Um admirador. Ele sabia que eram minhas preferidas. Ninguém tinha acesso a minha casa. Mas logo fiquei desconfiada do motorista. Ele me via admirando orquídeas e lírios do campo sempre que saiamos. Não havia reparado nele. Ele era bonito, jovem... Agradável. Ele trabalhava com meu marido há algum tempo. Começamos a conversar. Fomos nos entendendo aos poucos. Eu estava sozinha, não tinha que dar satisfação a ninguém. Nossa primeira vez... Foi algo inusitado! Jamais esquecerei! Ele me levou a uma plantação de girassóis. Corremos dentro da plantação como adolescentes! Rsrs E no meio da plantação... Onde ninguém podia nos ver... Ele gentilmente forrou o chão com sua roupa e começamos a fazer amor ali mesmo! Meu Deus!! A certa altura eu vi todas flores dos girassóis voarem para o céu como que numa explosão! Todos as flores dos girassóis estava voando para o céu! Não se conseguia distinguir os girassóis do sol. Já havia esquecido o que significava orgasmo. A última vez que tive um foi há.... Nem lembro! Estava feliz. Com muita freqüência ele me presenteava com os buquês de orquídeas e lírios do campo. Cada semana, orquídeas e lírios diferentes. Em um ano de namoro decidimos que era hora de casar. Casamos. Parecia um sonho... Que homem gentil... Cuidadoso... Atencioso... Nem pensei que merecia tanto.
Estava feliz e ao mesmo tempo intrigada com as visões que intensificaram após o casamento. Sempre via 3 pessoas próxima a porta da minha casa. Reflexos rápidos... Como já disse antes... Eles ficavam imóveis... Seguravam flores. Agora já podia entender muito bem o sussurro. Sobre... As orquídeas e os lírios do campo. Sempre que os via também ouvia um sussurro. Agora já entendia a primeira palavra: “ Cuidado com as orquídeas e os lírios do campo.” Acho que era isso. Talvez não. Talvez eu tivesse entendido errado. Eu pensava: O que tem de errado com as flores? Nada! Besteira minha. Achava que estava imaginando coisas. Acabava sempre deixando para de lado as aparições.
Meu amor fazia pratos maravilhosos. Fazia questão de preparar meu prato primeiro. Logo depois ele colocava o prato dele a mesa. Eu discretamente piscava para o mordomo, e num descuido o mordomo trocava os pratos. Assim era com as taças... Frutas que me dava... Sucos... Em tudo ele era o primeiro. Era a maneira de expressar minha felicidade. Esse era o meu segredo que compartilhava com meu fiel e adorado mordomo.
Umas 4 vezes por semana meu amor me trazia orquídeas e lírios do campo. Um buquê de orquídeas, apenas orquídeas na segunda- feira. Na quarta-feira, lírios do campo. Sexta-feira, outro tipo orquídea. Sábado, orquídeas e lírios do campo juntos. Ele levava a sério essa combinação. Dois anos... E o mesmo ritual das flores! Era incrível, ele nunca esquecia a combinação!
Com dois anos e meio de casamento... Meu amor começou a ter problemas de saúde. Sempre aparecia com algum problema de saúde. A cada dia ele ficava mais debilitado. Tentamos os melhores médicos e o problema persistia. Os médicos não conseguiam detectar a causa. Seu sistema imunológico estava sempre baixo. Ele foi definhando... Definhando... Eu sofria... Me sentia impotente... Não podia fazer nada! E quando fomos a última vez ao hospital... O médico me deu a triste notícia: disse que em poucos dias ele iria morrer. Ele quase não conseguia falar. Estava ali, moribundo naquela cama de hospital... Estava vendo meu amor escapar por minhas mãos. Meu coração estava apertado.
No dia seguinte... Ele estava morrendo. Era questão de horas, disse o médico. Meu mordomo sempre me apoiando... Ainda no hospital, meu mordomo me chamou para um canto e me mostrou alguns vídeos no seu celular. Me mostrou o homem que eu amava... Colocando veneno na minha comida! Meu falecido marido havia colocado câmaras escondidas pela casa. Apenas o meu mordomo sabia. Todo mês meu mordomo retirava as gravações e as guardavam. Segundo meu mordomo, ele nunca se preocupou em vê-las. Sempre achou que eu uma neura do seu antigo patrão que tinha mania de perseguição. O mordomo disse que ficou desconfiado logo que meu amor começou a ficar doente. Disse que os venenos eram colocados segundas-feiras, quartas –feiras, sextas e sábados. Eram as datas que constava nas gravações. Eu? Eu entendia muito bem o porquê desses dias. Ele me dava flores e ao mesmo tempo tentava me envenenar. O incrível: Ele não conseguiu me envenenar porque os pratos, taças, copos, frutas; sobremesas... Eram sempre trocados! Meu Deus! Me livrei da morte! Esse monstro que está ai, morrendo nessa cama... Estava tentando me assassinar! Ele queria minha fortuna! O tiro saiu pela culatra. Ele acabou envenenando a se próprio! Meu Deus! Inacreditável! Mesmo ficando doente... Ele não parava de tentar me envenenar! Pelas gravações... Via-se que eram diferentes tipos de venenos. Eram doses homeopáticas. Difícil serem identificadas. Detergente; água sanitária;veneno de rato; de baratas... Meu Deus, ele tentava me matar a todo custo! Nas gravações, podíamos ver o rótulo dos vidros de venenos enquanto ele preparava as doses diluindo em água. cianureto; estricnina; Sarin; ricina; toxina diftérica; shiga toxina; toxina tetânica; toxina botulínico. Eu não teria a mínima chance! Era morte certa!
Meu mordomo me conforta nesse momento de desespero. Meu coração parece que vai explodir! Meus fantasmas... Estão próximos... Na verdade são minha mãe, meu pai e meu falecido marido. Eles tentaram me avisar. Não dei atenção.
O olhar do moribundo entende que eu descobri tudo. Ele sussura pedindo perdão. Eu e uma monte de lágrimas... Dizemos não. Não o perdôo. Se houver justiça divina... Você pagará! Sua morte é como um câncer que está morrendo... Sendo curado.... Sendo extraído do meu corpo!
Nesse momento ouço o seu último suspiro. O infeliz morreu. Nem quero olhar para trás. Ele merece todo meu desprezo.

Flores e venenos da vida.

(história fictícia, qualquer semelhança é mera coincidência.// Obs.: Tem alguns conflitos com passado e presente. Tenho pressa em publicar. Farei correções depois.)

Escrito por Heliomar Melo

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

O PÉ DE AMORA

O mar de Copacabana está lindo hoje. Águas tão azuis... O céu está mais azul que o normal. Gaivotas voam para la e para Ca. Algumas vieram em direção a minha janela. Pensei que fossem entrar. (Rsrs) Fizeram uma manobra radical, peguei carona e acompanhei o bando de gaivotas. Minha mente acompanhou o bando de gaivotas como que me levando a um passado nebuloso do qual eu queria esquecer.
Eu era apenas uma menina como outra qualquer. Meu rosto era de um anjo. Minha voz era meiga... Lembro muito bem que por onde eu passava... Eu despertava a atenção de todos. Eu era linda... Meu rosto era delicado. Parecia o rosto de uma boneca de porcelana. E por falar em bonecas... Ahh... Eu era fascinada por bonecas! Bonecas grandes! Eu sonhava com bonecas com freqüência. Queria tanto uma boneca grande de porcelana...
Eu adorava subir no pé de amora. Passava horas la em cima comendo amoras. Comendo amoras com lágrimas. As amoras ficavam com gosto diferentes com lágrimas. Chorava... Cantava... Cantava muito. Enquanto cantava, Balançava os galhos e fazia uma espécie de balanço. Sentia o vento nos meus cabelos encaracolados. Ficava imaginando meus cabelos longos. Imaginava que eu seria uma mulher linda de cabelos compridos... Em cima daquela árvore eu me sentia uma menina livre! Feliz! Eram apenas eu, o pé de amora e o vento. O pé de amora era um dos meus refúgios. Eu adorava e odiava o pé de amora.
Certa vez, minha mãe me pegou brincando com a boneca da filha da vizinha. Ela me agarrou pelo pulso e me arrastou até nossa casa, foi direto para o fundo do quintal, pegou um galho de amora. Me bateu. Bateu até o galho se desfazer por completo. Não satisfeita, ela me arrastou de novo até o pé de amora. Retirou um novo galho e começou novamente a tortura. Eu tentava desviar do chicote, mas ela era forte. Seu pé prendia meu pescoço. Além das chicotadas, eu ainda ficava sem respirar. Ficava sufocada! Eu gritava por socorro, ninguém aparecia! Os vizinhos não queriam se indispor com minha mãe. Apenas uma vizinha se intrometia, mas ela não estava naquele dia. Ninguém aparecia para fazer minha mãe parar com aquela tortura.
Eu era apenas uma criança. Não sabia exatamente porque estava apanhando. Não entendia a fúria da minha mãe. Eu apenas estava brincando com uma boneca! Não fiz mal a ninguém! Porque minha mãe me batia? Meu irmão é quem cuidava dos meus ferimentos. Ele colocava água com sal. Ardia muito! Não entendia porque essa maldade com uma criança inocente e indefesa...
Aos 9 anos começaram os pesadelos. Sonhos perturbadores. Sonhava constantemente com uma igreja... Uma capela... Casas em miniatura. Na verdade parecia uma cidade em miniatura. Também via a imagem de um homem e de uma mulher. E a frase? Via uma frase: Estaremos unidos para sempre. Muitas noites mal dormidas. Também não entendia o porquê desses sonhos. Aliás, não entendia um monte de coisas.
Eu passava horas em frente ao espelho. O espelho era o meu outro refúgio. Meu espelho mágico me permitia viajar para um mundo de paz e harmonia. Eu u ficava horas em frente ao espelho admirando minha beleza. E minha mãe.... O tempo todo de implicância! Ela dizia: Saia da frente desse espelho! Va procurar o que fazer! Ela não dava sossego.
Com o passar do tempo... Eu estava intrigada. Havia algo errado comigo. Eu Ja estava no início da adolescência. Algo em meu... Espelho mágico não estava certo. A imagem que eu via no espelho não era a minha! Eu estava tão confusa... Procurei umas amigas, e elas confirmaram as minhas suspeitas. Disseram que eu não era uma menina! Sabiam o tempo todo, mas não se importavam com isso! Elas gostavam de brincar comigo. A partir daí, passava mais tempo em cima do pé de amoras chorando e comendo amoras. Eu não me conformava! Eu agora percebia que eu não era uma menina e sim um menino! Mas como eu poderia um menino? Não fazia sentido! Eu me sentia menina! Lembro que eu ia para frente do espelho e repetia: Eu sou uma menina! Eu sou uma menina! Eu sou uma menina! Mas como eu podia explicar detalhes masculinos eu meu corpo? Não entendia aquilo! Minha alma de menina estava presa num corpo que não era o meu! Agora eu entendia porque minha mãe me batia tanto! Agora eu entendia porque não podia brincar com bonecas! Meninos não brincam com bonecas!
Eu tentava esconder o detalhe que tanto me envergonhava. Tentava disfarçar minha genitália masculina. Aquilo era como uma maldição! Fiquei revoltada. A partir daquele momento eu afirmava a todos que era uma menina! Os insultos vinham de todas as partes!
Os pesadelos não paravam. Eu estava confusa e triste. Com mais freqüência eu tinha os sonhos intrigantes. O mesmo sonho! A capela... A rua florida... As casas pequenas... A cidade em miniatura... As ruas estreitas floridas... Flores de todas as cores...
Aos 13 anos tentei mutilar o motivo da minha vergonha! Fui parar no hospital. Além da hemorragia... Tinha que ouvir os sermões da minha mãe e do meu pai. Dias passados... Eu era motivo de todo tipo de gozação pela pequena cidade. Aberração, coisa do diabo... Etc. Eu tinha que ser forte. Eu tinha que ser superior a tudo isso. Eu era uma pessoa especial, eu sabia disso.
No colégio, fui reprimida algumas vezes por usar roupas quase femininas. Constrangimentos e chacotas eram rotina. Eu seguia a vida. Tinha que continuar. Eu sabia que era forte. Eu sabia que da batalha que teria que enfrentar. Nada me convencia do contrario! Eu era uma menina!
Aos 15 anos, numa festa de debutantes para umas 15 meninas, fui toda vestida de mulher! Com peruca e tudo! Sentia como uma menina de verdade! Estava tão feliz... Aquela data era muito importante para mim.. Quando entrei para dançar a valsa, Sozinha... Houve um coro de ohhhhhhh!!! Todos ficaram de bocas abertas! O som parou! Tudo parou! Cochichos por todo lado! Fiquei apavorada! As lágrimas surgiram do nada! Aos poucos... Ouvia as vaias! Todos me vaiavam e debochavam ao mesmo tempo! Vaiaram... Vaiaram.. Aquilo parecia durar uma eternidade! Num gesto pedindo socorro eu olhei para algumas pessoas mais velhas e mais respeitados, eles... Acenaram com a cabeça como que dizendo não. Enquanto ouvia as vaias... Vi minha mãe la de longe, pensei: vem ao meu socorro, minha mãe está vindo para me proteger... Não! Eu estava enganada! Ela e meu pai avançaram e rasgaram minhas roupas... Arrancaram minha peruca... Me bateram na frente de todos! Levei socos... Tapas... Pontapés... Ao mesmo tempo ouvia refrão: isso mesmo! Bate nele! Bate nesse sem vergonha! Bate nessa aberração da natureza! Ainda com as vaias e todo tipo de insultos, fui arrastada pelos cabelos até nossa casa. Meu pai foi direto ao pé de amoras. Pegou um galho e me surrou... Surrou... Após se cansar, minha mãe também veio me bater. Enquanto me batiam, desabafaram. Gritavam o quando os fiz sofrer! Falaram das humilhações que passaram os na rua.. Com vizinhos... Na igreja... O sermão direcionado a eles... As indiretas que ouviram... Os vários constrangimentos! Desabafaram tudo enquanto me espancavam! Falaram tudo que não falaram até aquele dia!
Após toda aquela tortura, chamaram meu irmão para cuidar dos ferimentos. Enquanto meu irmão cuidava de mim, minha mãe preparava minha pequena mala. Estavam me expulsando de casa! Não agüentavam mais aquela situação. Era muita vergonha, ela dizia. Toda machucada e sem ninguém ter me ajudado... Me colocaram num ônibus com destino a capital. Disseram que eu procurasse uma tia que eles nem sabiam direito o endereço. Me deram um papel escrito as pressas. Enquanto o ônibus afastava... Eu tentava encontrar forças para enfrentar um mundo desconhecido.
Chegando na capital... Não encontrei a tal tia. Dormi num beco próximo a um pondo de prostituição de travestis. Alguns travestis me viram e me deram comida. Fiquei uma semana naquele beco até que um dos travestis resolveu me levar para sua casa. Há essas alturas ele/ela e as outras já sabiam da minha situação.
Insisti que queria um trabalho decente. Era menor, e quando me viam... Com meu jeito de menina... As portas fechavam muito rápido! Tentei várias entrevistas, disseram não. Não. Cara feia; Cara de nojo; Cara de arrogância... Era tudo que me mostravam. Tentei vender balas nas ruas... Apanhei de um monte de garotos. Me expulsaram da rua.
O travesti que me deu casa, conversou comigo várias vezes e explicou que o mundo dos travestis é cruel, e que infelizmente a única maneira de um travesti sobreviver na grande cidade era a prostituição. E assim, iniciei a minha transformação. Hormônios... Implantes... Aos poucos me transformei num dos mais belos travestis da avenida! E numa noite... Conheci um Italiano. Fui para a Itália. Ele tinha muito dinheiro! Ele mais velho. Vivi como num conto de fadas na Itália. Nossa! Nem acreditava!
O meu amor faleceu. Me deixou rica! Voltei para o Brasil, queria retomar minha vida.
Havia decidido fazer a cirurgia de mudança de sexo. Estava ansiosa e tinha muito medo. Os pesadelos não cessavam. Não conseguia ficar em paz. Os pesadelos eram mais constantes desde que retornei ao Brasil. Por que via com freqüência a imagem de um homem e de uma mulher? A capela... A cidade em miniatura... Sentia como se o casal estivessem literalmente nos meus ombros. Era angustiante sentir a presença deles. Não eram mais apenas sonhos. Eles... Eles estavam próximos a mim o tempo todo! Via... Sentia algo... Sentia tristeza... Mal estar... Eu não estava bem. Um começo de depressão tomava conta de mim. Eu era tão rica... Não entendo! Tinha praticamente tudo para ser feliz, mas não estava feliz!
Já na véspera de fazer a cirurgia, fui convidada para ir ao velório do pai de uma amiga muito especial. Quando cheguei no cemitério.... Vi a capela que aparecia nos meus sonhos! Vi as ruas estreitas... As casas pequenas... Sim! Eu via nos meus sonhos como uma cidade em miniatura, mas não era uma cidade em miniatura, eram pequenas capelas e mausoléus num cemitério! Como não pensei nisso antes?
Passados uns 2 dias... Me enchi de coragem e voltei ao cemitério São João Batista. Eu sabia que encontraria as respostas para meus pesadelos e toda minha angústia naquele cemitério. Fui direto para a capela la no alto. Meus instintos me guiaram para a direita. Fui la no alto próximo a mata. Olhei e apalpei alguns túmulos mais não sentí nada. Já estava achando que era apenas um delírio meu. Andei um pouco mais e encontrei um túmulo antigo, muito antigo. Era o que eu estava procurando! Senti uma energia forte e assustadora! Aquele túmulo estava ligado aos meus sonhos! Eu sabia! Eu sentia isso! Vi a mesma frase que via nos meus sonhos, “ Estaremos unidos para sempre”. Essa não é uma frase comum nas sepulturas, por isso não conseguia entendê-la nos meus sonhos. Aproximei do túmulo... Energias estranhas tomaram conta do meu corpo! Senti como que hipnotizada... Não tinha muita consciência do meu eu. Num gesto receoso, Coloquei as mãos no túmulo. Nesse momento uma nuvem negra formou um imenso redemoinho a minha frente! Um redemoinho na horizontal! O centro no redemoinho estava de frente para mim! Senti como se tivesse entrando naquele redemoinho. Fechei os olhos e adentrei sem medo no grande redemoinho! Acordei num tempo remoto... Casas modestas. Parecia um vilarejo muito antigo. Fiquei escondida num beco. Vi um casal discutindo. Ela jurava que não o traiu. Ele duvidou. Ela chorava desesperadamente afirmando que não o traiu. Ele virou as costas e foi embora. Ela seguiu por uma rua estreita. Eu a segui. Fiquei de longe observando. Ela voltou com algo na mão. Era um pequeno frasco. Ela bebeu o liquido do frasco. Caiu no chão. Nesse momento apareceu o rapaz. Ele leu o rótulo do frasco e desesperadamente começou a chorar. Gritava que acreditava nela. Enquanto chorava... Dizia que não valia a pena viver sem sua amada. Ficou olhando para o frasco de veneno em sua mão. Ficou olhando.... Até que bebeu o restante de veneno que havia no frasco. Pegou sua amada no colo e disse que estariam unidos para sempre! Nesse momento... Abri os olhos e voltei ao ponto em que estava. Na frente do túmulo. Ouvi suavemente a voz de um deles. Um de cada vez. Eles diziam que haviam encarnado em mim ao mesmo tempo. Eu era a encarnação dos dois ao mesmo tempo! Por isso me sentia tão mal! Eu era duas pessoas! Eu era um homem e uma mulher! Essa era a resposta da minha angustia! Absolvi o sofrimento do casal! Disseram que agora estavam bem. Haviam reencarnado em corpos separados desta vez. Pediram a mim perdão por todo sofrimento que me causaram. Disseram que eu estava livre. Realmente me sentia livre. Tive uma sensação tão boa... Senti que eu era eu mesma. Senti como uma pluma plainado sem direção... Sensação de felicidade.... Quanta paz.... Ufa! Finalmente eu estava pronta para ser a mulher que sempre fui. De alguma maneira me senti livre! Agora eu poderia ser eu mesma! Estava livre! Livre! Livre!
Dias após esse episódio fiz a operação de mudança de sexo. Foi um sucesso! Mulher! Eu finalmente era uma mulher de verdade! Não tinha mais vergonha do meu corpo! Podia olhar no espelho sem medo! Minha mente agora estava em sintonia com meu corpo! Minha alma finalmente estava conectada com meu corpo! Corpo, alma e mente... Juntos! Equilíbrio total.
Hoje, olhando para a sacada do meu apartamento de frente para avenida Atlântica, me sinto a mulher que sempre fui. Agora sim, me sinto livre de tudo que me incomodava. Tudo está bem. Não tenho mais pesadelos... Me sinto viva e pronta para reiniciar uma nova vida. Eu sabia que eu era muito especial. Eu sabia que Deus reservava um ótimo futuro a mim. A ignorância é um demônio perigoso, devemos ter muito cuidado com esse demônio. Ignorância se vence com a leitura, inteligência, tolerância e amor ao próximo. Quando vencemos esse demônio chamado ignorância... Ai sim, podemos dizer que estamos realmente com o verdadeiro Deus.
Família? Não tenho mais contato. Quando soube que tiveram problemas de saúde, enviei dinheiro suficiente para o tratamento e um pouco mais. Não sei se estou preparada para encará-los. Ainda existe muita mágoa. Quem sabe algum dia?

Anjos e demônios. Quem são os demônios ? Quem são os anjos?

A criança gay, bissexual e transexual não pode ser vitima da IGNORÂNCIA conservadora. O estatuto da criança e do adolescente, DEVERIA “ também”, proteger as crianças gays; bi e transex. É muito feio dizer que minorias não tem voz, não tem direitos. O “cidadão” que fala que minorias não importam, com certeza não está falando em nome de Deus.

(Estoria 100% fictícia, qualquer semelhança é mera coincidência. Reforço aqui todo meu respeito e carinho por todos os transexuais e travestis.// Obs.: Alguns erros de concordância são propositais.Quero que a estória pareça uma conversa com o leitor. )

Escrita por Heliomar Melo

sábado, 3 de setembro de 2011

RESQUÍCIOS DE OUTRAS VIDAS

Setembro 2010, Tottenham Court Road,rua do centro de Londres/Inglaterra. Andando em direção... Deparei com uma cena estranha. Eles estavam todos de cabeça baixa! Eram centenas deles! Todos estavam como que... Congelados! Estavam na mesma posição! Imóveis de cabeça baixa! Aquela cena me deixou realmente intrigado. Nunca havia visto coisa parecida. ...Aquilo não era um fenômeno natural. O clima estava ótimo, nem frio, nem quente. Aquele comportamento não era normal.
Aproximei e sentei num banco próximo. Eles não se importaram com a minha presença. Aquilo parecia um ritual... Um ato solene... Parecia que estavam com vergonha de alguma coisa. Eu percebia tristeza e humilhação naquela cena. Fiquei olhando... Olhando... Havia algo de familiar naquela cena. Algo ligado a mim. Alguma coisa aconteceu comigo naquele lugar... Num passado não muito distante. Mas como? Havia apenas 3 anos e 8 meses que eu estava na Inglaterra! Como aquela cena poderia estar ligada a mim? Por que tenho a sensação de que algo importante aconteceu comigo ali, naquele lugar?
Enquanto indagava... Um estalar dentro da minha mente me mostrava imagens... Muitas cenas de guerras passadas. É como se as portas de uma passagem secreta da minha mente se abrissem. Um mundo que eu desconhecia passava pela minha mente como um filme... Todas as imagens apareciam quase que na velocidade da luz! Meus olhos entraram em colapso. Eu sabia que encontraria as explicações que eu tanto procurava!
Aos poucos... Aos poucos fui controlando a velocidade das imagens e tentava buscar as explicações que me angustiava tanto! Com calma... Meus pensamentos foram para o ano 1184.
Verona, ano 1184. Começa a grande caçada às bruxas, feiticeiros e etc. Algumas centenas de anos foram suficientes para assassinarem milhares de inocentes! Por qualquer motivo qualquer pessoa era acusada de bruxaria! As mulheres eram as maiores vítimas! Tempos de horror e sofrimento! O medo dominava as pessoas! Eram tempos ruins. Muitos inocentes foram vitimas das piores atrocidades! Qualquer pessoa, a qualquer momento poderia ser acusada de bruxaria. Quase toda a Europa estava em guerra com as bruxas! A Inglaterra era o pais, que era um pouco mais seguro para as bruxas verdadeiras. Por causa disso, no fim do século XVII, bruxas de todas as partes do mundo se reúnem no Hyde Park, que fica próximo no centro de Londres.
Cansadas de tantas maldades, as verdadeiras bruxas resolveram usar o poder máximo concebido a todas as bruxas e feiticeiros de todo o mundo. Um feitiço... Uma maldição... Ou dependendo da situação, um encantamento estava em andamento. Naquele ano um eclipse já estava anunciada. O feitiço dependia de um eclipse de longa duração para funcionar.
Ao longo de todos esses anos de maldade contra inocentes surgiram várias seitas com intuito de ajudar os mais fracos e oprimidos. Essas seitas colocaram em muitos prédios, monumentos e igrejas um símbolo que na verdade ativa uma poderosa e gigantesca luz que tem o poder de mudar o destino dos humanos. Essa luz brilhante é acionada com a ajuda de uma intensa eclipse. Até tentaram outras vezes, mas deu certo porque a duração dos eclipses anteriores não foi suficiente para acionar os dispositivos disfarçados em símbolos.
Há poucas horas da tão esperada eclipse solar e já tendo comunicado todas as bruxas de todo o planeta, iniciou-se o ritual que mudaria o destino do mundo.
E no Hyde Park, centenas de bruxas e feiticeiros abraçaram árvores e ao mesmo deram se as mãos uns para os outros e quando não alcançavam... Um galho era estendido como que imitando um braço. Esse mesmo gesto era repetido em todos os lugares do planeta onde haviam bruxas e todos tipos de místicos. Os que não conseguiam ver o eclipse, sabiam exatamente que horas era o eclipse.
E quando começou o eclipse... Homens já devidamente preparados retiraram o disfarce dos símbolos que estavam em quase todos os prédios de Londres. Uma camada de barro escondia diamantes poderosos! Naquele momento palavras mágicas foram ditas e repetidas! Feixes de luzes intensas saíram dos símbolos! Os milhares de raios de luz foram para cima e formou um imenso clarão! Uma gigantesca bola brilhante no céu de Londres! Ao mesmo tempo, o encantamento / maldição, começou se concretizar!
Pessoas mortas... zumbis, apareciam do nada e se transformavam em animais! Os bons se transformavam em animais belos, fortes e de nível superior. Os maus... Se transformavam em animais de nível inferior.
Eu podia ver como se fosse hoje as pessoas se transformando. Os bons saiam de um estado quase morto e um sorriso... Um grito de alegria se misturava com o som do animal em que ele estava se transformando. Era um fantástico! Pavão , leopardo, elefante, borboletas, águias, araras, garças , gaivotas,onça, cavalos, Cachorros, gatos... Era um show de imagens! Podia ver com clareza a lenta transformação do humano para animal.
Era angustiante ver a transformação de uma pessoa do mal em, por exemplo, um rato. O defunto zumbi tinha um olhar de horror e gritava como que sentido dor. O coitado do animal se transformava liberando sons de agonia. Saiam correndo para os esgotos.Viver nos esgotos, era esse o castigo dos homens que fizeram maldades!
A maldição foi lançada! A partir daquele momento todos os seres humanos reencarnariam em animais para pagarem por suas maldades... Ou para ter a recompensa por terem sido bons. Para alguns maldição, para outros, o encanto e a magia de viver como animais em um momento de transição até que encarne novamente em humanos.
Inquisidores começaram a morrer misteriosamente. Um rastro de terror alcança os inquisidores e todos que participaram desse grande genocídio, chamado inquisição. Já no final de 1700 termina o período de vergonha que chocou toda humanidade! A inquisição chega ao fim! Acaba finalmente os tempos de horrores! E dessa maneira todos que fizeram maldades foram condenados. Condenados com a maldição das bruxas, feiticeiros e místicos de todos os cantos da terra!
Agora finalmente eu entendí com o que aquela cena dos pombos paralisados de cabeça para baixo, se conectava! Sim! Descobrí o “ elo” da conexão com a atitude dos pombos!
O elo são todos os soldados que venceram as guerras mas que deixaram um rastro de morte e destruição ! Soldados sempre ficam de cabeça baixa sentindo vergonha de ter ganho a guerra. Os soldados tem vergonha das atrocidades que cometeram! Afinal, para vencer qualquer guerra precisa matar seus oponentes! Precisa haver destruição para vencer guerras! Essa é a vergonha dos soldados, mesmo que não tenha sido intencional. Por isso eles ficam de cabeça baixa após cada guerra! Os pombos... Na verdade, eram soldados! soldados encarnados em pombos. Essa foi a punição para os soldados!
Podia lembrar com clareza... Na minha outra vida eu era um soldado do genocida Hitler. Fui obrigado por Hitler, a matar inocentes! Tinha que cumprir ordens. Morrí quando enfrentamos a Inglaterra. Fui condenado a vivenciar as memórias de todas as guerras e todas as injustiças que aconteceram. A maldição das bruxas me transformou em um pombo. Um pombo com o poder/ maldição de lembrar de todas essas maldades. E no relógio da estação Kings Cross, Vivi com todas essas terríveis lembranças que não eram minhas. Como pombo, viví, em minha mente, todas as guerras! Eu lembrava de tudo como se tivesse estado na cena. Como se fizesse parte de cada acontecimento! Esse era meu castigo! Viver como um pombo e ter todas as lembranças ruins de de outras vidas, tanto minhas como dos que foram vítimas de maldades.
De tempos em tempos o bando de pombos se reúnem em uma praça para celebrarem o ritual de libertação de mais um prisioneiro da terrível maldição. Foi dessa mesma maneira que me libertaram da maldição ha 46 anos atrás. Minha pena foi de nivel médio. Os homens maus... Tiveram penas graves e foram condenados a viverem como ratos em esgotos e outros animais de nível inferior.
Eu era um pombo, por isso me identicava com aqueles pombos ali... Naquela praça do centro de Londres.


Resquícios de vidas passadas.

(Obs.: A cena dos pombos é verdadeira. Fiquei impressionado de ver os pombos na mesma posição.Todos de cabeça baixa na mesma praça que citei. Vi mistério nessa cena. / Criei essa estória a partir do meu post onde narrei essa cena. / Pessoal, eu escrevo fantasia. O titulo do blog propõe, fantasia. Quem gosta de fantasia... Seja bem vindo. Quem não gosta... Não acho que meu blog seja leitura indicada. // Tive altos picos nas estatisticas no Brasil. Meu blog comeca a ter notoriedade.Obrigado Brasil! Tento escrever para adolescentes e adultos./ Mico na web? I dont care! Continuarei escrevendo. Acredito em mim e no meu potencial.)

Escrito por Heliomar Melo

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

O HOMEM DE BARRO

Arpoador, Rio de Janeiro Brasil. Sentado no calçadão da Pedra do Arpoador, eu admirava um morro com aparência quadrada. Incrível! Como um morro pode ser quadrado? Os raios dourados do sol tornava ainda mais encantadora aquela vista. Podia ver um pouco a minha direita o Cristo, O corcovado. Como é lindo... Atrás, a minha esquerda, a Pedra do Arpoador, uma imensa plataforma plana! Até parece que a qualquer momento um disco voador vai aterrizar naquela gigantesta pedra plana.
Em sintonia com aquelas pessoas que também admiravam a mesma vista... Meus pensamentos foram para uns dias no passado. Lembrei que estava andando pela av Presidente Vargas (Rio de Janeiro), passava exatamente na frente do Sambódromo. Quase podia ouvir a alegria dos maravilhosos desfiles das escolas de samba. Andei mais adiante, embaixo de uma passarela... Vi um... Algo... Algo coberto com um cobertor velho. Estava frio. Achei aquilo estranho. Olhei melhor e pude ver os pés de alguém. Sim! Os pés de um ser humano! Ele estava como se fosse uma mercadoria jogada no lixo! Que tristeza... Ele era provavelmente um pedinte de sinal que estava descansando. (pessoa que pede esmola nos sinais de trânsito). Fiquei parado observando. Pude ver pelas pernas envelhecidas que era um idoso. Que tristeza...
Comecei a afastar daquela cena quando de repente... Tudo escureceu! Escureceu com uma rapidez impressionante! Parecia que o mundo estava acabando! Não conseguia enxergar praticamente nada! Foi escurecendo mais... Mais... Por algum motivo eu já estava deitado... Via vultos brancos a minha volta. Parecia... Tão louco dizer isso, mas parecia que fui abduzido! Acho que estava ficando louco! Não existe ETs! Em segundos comecei a viajar por um túnel de cor brilhante... Era confuso... E por alguma razão... Eu repetia essa frase estranha à lingua portuguesa: huhuhaha munga munga! Risos muito longe eu podia ouvir... Aos poucos senti que outra pessoa ocupava a minha mente. Já podia ver de longe meu outro corpo deitado numa cama. Conseguia lembrar de outras vidas e de situações de um passado remoto. Senti que naquele momento eu era uma espécie de viajante do tempo. Lembrava da época das cavernas... Lembrava das várias espécies humanas que habitavam a terra... Seres não muito evoluídos dominavam a terra. Eram os hominídeos. Eram várias espécies de hominídeos! Naquela época, cada clan, cada tribo, queria purificar sua raça. Os conservadores não permitiam que membros de outras tribos se misturassem à deles. Quando alguma jovem engravidava de outro membro que não fosse da sua própria espécie... Era morta! Se misturar a outras raças ... Era um ato mortal para a arrogância dos hominídeos!
As guerras para disputar territórios continuavam. As várias espécies de hominídeos não se entendiam. Cada tribo tinha seus, Oráculos, feiticeiros ou Curandeiros.
Alem das guerras, ainda tinham que preocupar com os animais selvagens. A comida... Estava escassa. A cada dia estava mais difícil caçar mamutes. Para piorar a situação dos hominídeos, misteriosas mortes estava dizimando muitos membros das várias tribos. Uma peste misteriosa matava impiedosamente várias membros!
Seus respectivos oráculos foram consultados e chegaram a conclusão que a peste exterminaria todas as raças de hominídeos em menos de 1 geração! Todos estavam alarmados!
Oráculos e feiticeiros de todas as tribos, num ato quase suicida, se reuniram para tentar achar uma solução. Todas as opiniões eram unanimes: Todas as espécies de hominídeos seriam exterminadas! A peste era imune as todas as ervas, poções já conhecidas. Não havia esperança. Todos iriam morrer!
Ainda na mesma reunião, um velho sábio teve uma idéia inusitada. Disse que a solução do problema seria a mistura das várias raças de hominídeos. Criar uma nova raça! Uma super raca! Mas o orgulho... Impedia que esses povos se unissem. Jovens insistentes e desafiadores foram mortos porque defendiam que deveriam se unir para evitar a extinção do hominídeo na terra!
Jovens das várias tribos se uniram escondido e começaram a criar uma nova raça. Os jovens rebeldes se encontravam na calada da noite. As jovens grávidas escondiam a gravidez ao máximo. Quando estavam quase para dar a luz... Iam para um lugar distante que se chamava esperança. O lugar era uma colônia onde so haviam crianças! Muitas crianças! Sempre que ouviam qualquer movimento... As crianças fugiam para outro esconderijo ja previamente preparado.
E assim os homosapiens , resultado do cruzamento das várias raças de hominídeos... Dão inicio uma nova geração de crianças com fortes traços genéticos! Inteligentes! Saudáveis! Imunes a terrível peste! Um enorme salto da evolução humana! Finalmente estavam salvos da extinção!
Pouco tempo depois... Os oráculos previram uma nova ameaça! A superprodução de super homens estava ameaçada novamente! Os oráculos previram uma nova catástrofe que extinguiria todos os habitantes da terra! Um gigante asteróide chocaria com a terra em uns dois anos! Os bebês modificados tinham de 3 a 8 anos de idade! Iriam morrer também! Os homosapiens, a nova geração de humanos não resistiria ao grande impacto! Uma tragédia! Tanto esforço para salvar os hominídeos e agora essa nova ameaça!
Num esforço conjunto com os oráculos e os menos conservadores, um grupo de corajosos voluntários começa a preparar um gigantesto berçário para proteger os super bebês homosapiens do grande impacto do asteróide. Era uma operação arriscada e delicada. Localizaram uma imensa caverna e preparam-na com revestimento que suavizasse o grande impacto. Capins de todos os tipos eram colocados de maneira que protegia ao Máximo o grande berçário que se localizava exatamente no centro da caverna.
As crianças ficaram os últimos 6 meses dentro da caverna esperando, infelizmente o terrível dia. E aconteceu! A terra tremeu... Sacudiu... Um verdadeiro caos! Água se misturou a terra formando uma imensa bola de barro. Parecia o fim do mundo! Estávamos cheios de barro... Lama... Terra... E quando todo aquele tremor passou... Saimos de dentro do barro! Não havia mais nada sobre a face da terra! So havíamos nós na terra! Tudo foi destruído com o impacto do asteróide. Todos nós gritávamos que nascíamos naquele momento do barro! Todos gritávamos que nascíamos da terra! As crianças mais novas realmente acreditavam que foram feitas de barro.
E assim surgiram as expressões: “... E do barro viemos; E do pó viemos.” Surge então os homens de barro.
(Acordando num hospital...) Huhuhaha ... Munga munga! Munga munga! Nesse momento senti como se estivesse voltando para aquele corpo la embaixo. Minha mente foi novamente ocupada por meu outro eu. As vezes penso que foi apenas um sonho. Mas pareceu tão real... Até hoje, sentado aqui, admirando essa maravilhosa vista do Arpoador, questiono se foi real ou não. Sei la, não sei explicar, so sei que algo aconteceu naquele dia.
O pior foi a chuva de vaias dos outros pacientes que estavam na mesma enfermaria depois que acordei. Rsrs . Disseram que levei uma cacetada na cabeça. Rsrs Disseram que fui assaltado e fui parar no hospital desacordado.

... E do barro nasceu o homem.

( Obs.:Impossível as várias espécies de hominídeos estarem juntos ao mesmo tempo. Elas eram separadas por “milhões” de anos . Impossível essa historia.)

Escrito por Heliomar Melo

quarta-feira, 22 de junho de 2011

O OLHAR DOS OLHOS MEUS

De repente comecei a ver vultos. Vultos de algo que eu não sabia definir. No principio não dei muita atenção. Achei que fosse apenas algo nos meus olhos. Uma poeira... Alguma irritação...
Já no terceiro dia... Via com clareza os olhos azuis de uma mulher. Os olhos se destacavam! Foi como um flash! O semblante de uma mulher loira. Mas não conseguia enxergar com definição aquele rosto. Apenas os olhos de um azul intenso eu conseguia ver.
Com o passar dos dias... Foi intensificando. Via aquele vulto... Aquela sombra.... Com muita freqüência! Por duas vezes quase fui atropelado porque minha atenção foi desviada pela... Assombração? Sei la... Não sabia explicar o que estava acontecendo. O tempo todo aquela imagem vinha a minha mente... Ou a minha frente... Era confuso... Eu... Estava perdendo o sentido da realidade. Aquilo contrariava qualquer noção de lógica da qual a conhecemos.
E mais dias... Comecei a sonhar com minha falecida mãe. No sonho, ela tentava me contar algo... Não sei exatamente o que era, mas uma palavra era repetido várias vezes. Ternurinha. Porque ternurinha? Porque minha falecida mãe me falava o diminutivo de ternura? Ela nunca se referiu a mim e nem a ninguém que eu conheço desta maneira. O que ela estava tentando me dizer?
Eu sabia que havia alguma ligação com a moça das minhas visões. Eu sabia que a palavra “ternurinha” estava ligada à moça das minhas visões... Mas não entendia...
Havia algum tempo que não procurava meu melhor amigo. Ele estava com novo namorado. Sim, ele é gay. Sou hétero bem resolvido. Parei de caçar mamutes há milhares de anos. Continuando: Ele me apresentou seu novo namorado. Rimos muito como sempre. Conversa vai... Conversa vem... Acabei falando o que estava acontecendo. Os dois ficaram boquiabertos! E quando falei a palavra que aparecia nos meus sonhos... O namorado do meu amigo começou a chorar. Chorava sem parar. Eu e meu amigo ficamos olhando sem entender nada! Esperei um pouco e logo em seguida perguntei ao rapaz o que estava acontecendo. E quase ao mesmo tempo ele me perguntou como eu sabia daquele nome? Eu disse que foi minha falecida mãe que me disse no sonho. Perplexo, ele disse que esse era o apelido de sua mãe que faleceu recentemente. E que esse era motivo de ele ter mudado para o Rio de Janeiro. Queria esquecer a morte de sua mãe. Queria começar vida nova.
Naquela noite, ficamos até altas horas da madrugada tentando entender o que realmente estava acontecendo. Não fazia nenhum sentido. Eu não conhecia a mãe daquele rapaz recém chegado no Rio de janeiro. O meu amigo so o conheceu há 2 meses atrás! E a moça das minhas visões? O que ela tinha haver com isso?
Uns dias depois: As visões eram mais freqüentes. Eu estava perturbado! Inquieto! Algo estava acontecendo! Eu sabia disso! Podia ver com mais nitidez a moça de olhos azuis. Tão linda... Tão linda... Eu estava ficando apaixonado por um fantasma!
Os sonhos... Mamãe estava sempre nos meus sonhos tentando me dizer algo mais. Nesses últimos sonhos, ela me mostrava um papel com hieróglifos. No dia seguinte me lembrei dos símbolos. Tentei traduzi-los mas não consegui. Não fazia sentido. O que estava escrito não fazia sentido. Eram símbolos de uma época remota. Aqueles símbolos que encontramos em cavernas.
Novamente me encontrei com os dois rapazes. Falei dos símbolos. Eles também não entenderam. Virei para ao rapaz e perguntei porque chamavam sua mãe de Ternurinha. Ele disse que foi um apelido que deram a ela. Nada fazia sentido até aquele momento. Resolvi tomar uma atitude. Pedi licença do trabalho e fui para Porto Alegre. Eu sabia que la eu encontraria a resposta para minha perguntas. O namorado do meu amigo entrou em contato com uns parentes para que eu ficasse na casa deles la em Porto Alegre.
Chegando la... Contei toda a historia a eles. Enquanto eu falava... A família me olhava sem acreditar no que estava ouvindo. Todos estavam surpresos com o que eu acabava de lhes contar. Todos começaram a chorar! Estranhei a atitude deles. Porquê estavam chorando? Aos poucos, começaram a me falar o que estava acontecendo. Primeiro me disseram que uma afilhada deu o apelido de Ternurinha a madrinha, falecida Maria, mãe do rapaz que estava no Rio de Janeiro . Raquel, foi criada por Maria. E por carinho, Raquel deu o apelido de Ternurinha a sua querida madrinha Maria. Poucos da família sabiam disso. O pior da história: Raquel foi seqüestrada por engano. Os bandidos a ameaçavam o tempo todo! O filho de Ternurinha que estava no Rio de Janeiro não sabia do seqüestro. Os bandidos pediram sigilo. Queriam muito dinheiro! A família não tinha dinheiro suficiente. O tempo todo diziam que iam matar Raquel!
Sabendo disso, convenci a família procurar a policia. Na delegacia, contamos toda a história. Eu contei sobre os hieróglifos. Eu tinha certeza que a localização dela tinha conexão com os hieróglifos. Juntos, começamos a pesquisar na internet sobre hieróglifos. Descobrimos uma caverna não muito longe que havia hieróglifos.
Dito e feito! Encontraram o cativeiro! Ela estava la! Depois que os bandidos se renderam, ela foi resgatada e estava salva e infelizmente debilitada.
A mulher das minhas visões estava na minha frente! Incrível! Era igual a as minhas visões! Como pode? Não consigo entender... E por que eu? Não tínhamos nada em comum! Porque houve essa comunicação sobrenatural? Foi através da minha falecida mãe nos comunicamos! Minha mãe fez a comunicação! Por que minha mãe? O que ela tinha haver com aquela moça?
Enquanto a levavam numa maca para o hospital, eu e a família dela conversávamos sobre sobrenomes de família... Nome de parentes... Nome da minha mãe... Comversa vai... Conversa vem... E quando eu disse o nome da minha mãe... Elas confirmaram que Ternurinha e minha mãe foram amigas de infância e adolescência! Ternurinha morou no Rio de janeiro na sua infância e adolescência. Minha mae e Ternurinha eram amigas inseparáveis! A família me contou sobre um pacto de amizade eterna que as duas fizeram. Fizeram um pacto de sangue. Furaram com alfinete as pontas dos dedos e juraram amizade eterna! Amigas até depois da morte! Incrível! As duas se comunicaram do outro lado! Elas, eram o ELO entre mim e a Raquel! Foram elas que me enviaram para salvar Raquel! Foram elas que me fez encontrar o amor da minha vida!
Águas passaram. Hoje sou casado com Raquel. Ela também confirmou o amor que sentia por mim mesmo antes de me conhecer. Ela confirmou que tinha as mesmas visões.Que me via o tempo todo. Sempre que ela chamava sua madrinha e mãe Ternurinha, ela via meu semblante. Ela é a mulher da minha vida! Ela é a razão do meu viver! Ela é o olhar dos meus olhos! Te amo Raquel! Te amo! Um trilhão vezes... Eu te amo!!

Sempre.... O amor.

Escrito por Heliomar Melo

sexta-feira, 13 de maio de 2011

PÉTALAS DE ROSAS VERMELHAS

Um lindo buquê de rosas vermelhas estava em minhas mãos ... Quem estava me dando as rosas... Com certeza não sabia... Não sabia que rosas vermelhas me faz sofrer. Quem as vendeu teve todo o cuidado de enfeita -las com gotículas de água. Meus olhos adentraram no orvalho daquelas rosas que estavam nas minhas mãos, me levando a um passado distante do qual eu queria esquecer.
Eu era apenas mais uma menina no sertão nordestino. Aquele longo período de seca nos castigava. Quantas e quantas vezes perguntei a Deus porque tínhamos que sofrer tanto! Que mal fizemos? Meu grande sonho era ir embora! Ir para um lugar e viver com um mínimo de dignidade. Nenhum ser humano merece tanto sofrimento.
Minha mãe fazia serviços autônomos numa fazenda um pouco distante da nossa casa. O dinheiro não era suficiente para as despesas. Ela era um pouco amarga... Era sofrida...
Com a morte do meu pai... Ela teve que sustentar a mim e minha irmã sozinha. Várias vezes comíamos apenas palmas! Isso mesmo, comíamos a comida dos animais! Também fazíamos farofa de formiga. Tirávamos a parte de trás da formiga e fazíamos uma deliciosa farofa.
Dois anos após a morte de papai, mamãe resolve se casar novamente. Ela não conseguia nos criar sozinha. Ela dizia que precisava de alguém para ajudá- la. Meu padrasto entrou na nossa casa e tudo parecia tranqüilo. Ele me deu de presente uma roseira linda! A plantei num lugar especial ao lado da casa. Cuidei daquela roseira como se fosse minha vida! Aquela roseira, para mim, era um símbolo de esperança... Era meu elo com algo maravilhoso que iria me acontecer! Era dessa maneira que eu via a roseira. Eu conversava com cada rosa! Até dei nome para algumas delas.rsrs Acabei desistindo de chamá-las pelo nome, eram tantas... Tantas rosas... Ah... Eu me sentia tão rica... Tão cheia de vida ... Olhando aquelas rosas... Eu imaginava uma casa chique cheia daquelas rosas! Na minha visão de menina sonhadora, eu via uma roseira em cada casa! Na minha mente, nas cidades longe do nordeste de secas, todas as casas tinham roseiras na frente! Alias.. Todas as praças... Ruas... Rosas, rosas... Em todo lugar!
Já se passaram 5 anos desde que meu padrasto veio morar com minha mãe. As coisas agora... Não estão tão boas como antes. Ele bate na minha mãe. Ele bate nela por qualquer motivo. E minha Mãe... Acaba nos batendo também por qualquer motivo.
Ele bebe muito. O dinheiro que ele ganha é quase todo para beber. Nossa comida está cada dia mais escassa. Ele joga na nossa cara o tempo todo que nos criou! Que deu comida a filhos dos outros! Tive que enfrentá-lo algumas vezes quando ele tentava bater na minha irmã. Ele apenas ameaçava me bater. Eu percebia que alguma coisa o impedia de me bater. Não entendia o que poderia ser.
As surras na minha mãe não cessavam. Tinha dias que ele ameaçava matar a todos! Minha mãe queria terminar o casamento, mas ele não queria! Ele debochava da minha mãe o tempo todo. Não tinha um mínimo de respeito por ela! Muitas vezes éramos obrigadas a correr para fora da casa de madrugada para que ele não nos machucasse. Ele chegava muito bravo de madrugada. Estávamos sozinhas! A cidade mais próximas ficava longe! Estávamos isoladas! Os poucos vizinhos que tínhamos... Foram para a cidade de São Paulo.
Por muitas vezes ele saía correndo atrás de mim para me bater. Eu me escondia atrás da minha roseira. Por algum motivo ele respeitava a roseira. Lembro que ele ficava horas me observando enquanto eu cuidava da roseira. Outras vezes o ví conferindo o tamanho da roseira, das rosas... Eu achava aquilo tão estranho... Ele também admirava a roseira. Começo a achar que não foi coincidência ele ter me dado a roseira de presente. Não sabia que ele também era fascinado pela roseira. Algo enigmático nos envolvia com a roseira. Minha mãe comentou algumas vezes que achava estranho a nossa adoração pela roseira.
Certo dia, minha mãe foi trabalhar. Minha irmã foi com ela. Meu padrasto estava em casa. Como sempre, bêbado. Ele aproximou com um olhar estranho, me pediu... Me mandou buscar algumas rosas. Recomendou que eu colhesse apenas as mais bonitas. Meio desconfiada fui la e cuidadosamente, colhí as rosas mais bonitas. Acreditava que as rosas acalmaria o coração de gelo daquele homem. Pensei que ele queria dar rosas para minha mãe. Afinal, ele fazia tanto mal a ela ultimamente...
Ingenuamente lhe entreguei o ramalhete de rosas. Ele gesticulou que eu ficasse com as flores. Nesse momento ele me mostrou uma faca. Acenou para eu ir ao quarto. Me mandou deitar na cama da minha mãe. Me ameaçou. Disse que se eu não deixasse acontecer (....) ele mataria todas nós! E que se eu contasse para minha mãe, ele também nos mataria! O olhar dele... Era... Assustador! Segurei aquele ramalhete de rosas com tanta força... Tinha tanto medo... As lágrimas.. Desciam... Desciam sem parar! Eu implorava! Eu pedia pelo amor de Deus para ele não fazer aquilo! Ele gritava que aquela era a hora! A roseira estava pronta! Ele disse que foi dessa mesma maneira com outras meninas! Ele veio para cima de mim... Gritei! Gritei!! Mas ele não parava! Ví todas as rosas da minha roseira despedaçadas!
Quando aquilo terminou... Ele repetiu que se eu contasse para minha mãe, ele mataria todas nós! Em seguida ele me expulsou do quarto. La fora, perto da roseira, eu arrancava as pétalas das rosas do ramalhete que ainda estava na minha mão. As lágrimas caíam nas rosas vermelhas. Meu mundo estava destruído!
Dias mais tarde, ele pediu de novo mais rosas. Disse que se eu não trouxesse rosas, ele iria bater na minha mãe. Ele repetia: Quanto mais rosas... Menos sua mãe apanha!
Tentei destruir a roseira. Ele percebeu e me bateu. Ele demorou um longo período sem... Sem... Me “incomodar”. Disse que estava esperando a roseira ficar viçosa novamente.
Minha mãe não percebia nada. Eu tentava chamar sua atenção... Eu quebrava copos... Eu deixava as coisas caírem no chão ... Eu arrancava pétalas das rosas na sua frente... Eu queria que ela percebesse que algo não estava bem! Mas ela não percebia! Ela chegava cansada do trabalho... O meu padrasto sempre brigando com ela...
Mais um dia no inferno. Era quase noite. Ele queria flores novamente. Relutei. Mas ele ameaçou de novo! Fui e Colhí as rosas vermelhas. Fui para o quarto. Quando tudo acontecia... Minha mãe entrou gritando! Me xingou dos piores nomes! Ouví as piores barbaridades de toda minha vida! Aquele homem disse para mãe que eu o seduzí! Eu falei que ele me obrigou! Mas minha mãe não acreditou em mim! Ela me pegou pelos cabelos, me arrastou até a roseira , colheu galhos da roseira e me surrou! Meu corpo ficou marcado com os espinhos da roseira! Ela me expulsou de casa.

Aos prantos e sangrando, fiquei olhando a roseira. Levantei e comecei a destruí -la! Arranquei cada galho.. Cada raiz! Cavei o chão e retirei todos os vestígios da roseira! A destruí ! Depois queimei tudo!
Minha irmã me acompanhou até a autoestrada. Despedi dela e prometí que viria buscá-la. Peguei carona e vim para o Rio de janeiro.
Tive que morar nas ruas por algum tempo. Comí restos de lixo de restaurantes de Copacabana. Juntei–me com alguns mendigos. As vezes dormíamos em viadutos. Outras, em calçadas em Copacabana. Já estava me tornando moça. As poucas roupas que eu tinha, eu guardava na copa das árvores. Cada um de nós tínhamos uma árvore que servia de guarda-roupas. rsrs
Propostas indecentes... Eram constantes. Mas eu não quis! A prostituição não era o caminho que eu queria seguir!
Uma amável senhora sempre conversava comigo. Sentávamos nos bancos de frente para o mar. Contei-lhe toda minha história. Ela ficou comovida e me convidou para ajudá-la nos serviços domésticos. Fui morar com ela. Ela era sozinha. Não tinha parentes. Me tratou como filha... Foi maravilho! Ela me deu estudos... Ela fez tudo para eu vencer na vida! Quando ela faleceu, veio a surpresa, ela me deixou bem de vida. Eu herdei 3 apartamentos!
Casei. Tive 3 filhos. Meu marido faleceu logo. Estou viúva há um bom tempo. Meus três filhos, Alguns amigos, minha irmã e minha mãe que eu trouxe do nordeste, também acham que eu mereço casar de novo. Não conseguí guardar a mágoa que tinha da minha mãe e fui buscá-la. Eu a perdoei. O meu padrasto, aquele desgraçado, morreu sofrendo! Sofreu muito! Disse minha mãe.
Era uma noite especial. Estávamos comemorando minha formatura. Agora me vejo nessa situação embaraçosa. Ele, meu pretendente, meu namorado, veio com esse lindo buquê de rosas vermelhas! Todos se olharam! Estavam de bocas abertas! Todos ali, naquela sala, sabiam que eu odeio rosas vermelhas! Meu pretendente estava tentando entender a situação. Gesticulava perguntando o que fez de errado. Todos estavam sem graça! O clima na sala ... Não estava bom! Meu namorado olhou nos meus olhos e viu que eu estava chorando. Ele gentilmente me perguntou se eu não gostava de rosas vermelhas. Calmamente eu enxuguei as lágrimas, erguí minha cabeça e disse : Eu Adoro Rosas Vermelhas! E todos começam a sorrir e um clima de alegria reinou no ambiente.

Todas as rosas da nossa vida....

(Comecei a ouvir a historia dessa brava mulher, achei interessante. Combimos p que ela me conta toda a historia. Sabia sobre... Ela ter sido molestada mas nao sabia por quem! Na pressa acabei criando por conta propria o seu agressor. Dias apos, ela me contou toda sua historia.Muito diferente dessa historia. Todo meu carinho a essa mulher de fibra e de bem com vida! )

Escrito por Heliomar Melo

sexta-feira, 15 de abril de 2011

O ÚLTIMO ANUNNAKI

Sou talvez o último dos Anunnakis. Viemos para Tiamat,( terra) há mais de 500 mil anos atrás. Nossa cultura foi difundida pelos povos Sumerianos que já habitavam a antiga mesopotâmia hoje, o Iraque. Os sumérios já sabiam que existíamos . Eles narraram em sua mitologia sobre o décimo segundo planeta no sistema solar. Esse planeta se chama Nibiru. Tem a maior órbita do sistema solar. 3.600 anos é o tempo do seu ciclo solar. Ou seja, de 3.600 em 3.600 anos o planeta Nibiru entra no sistema solar, já que também faz parte dele. Éramos alienígenas auto-suficientes. Segundo meus ancestrais, vivíamos em paz até que numa colisão com um asteróide quase exterminou nossa raça. Fomos atraídos pela órbita terrestre. Colidimos com marte e causamos o que todos já sabem. . Em seguida colidimos com tiamat, terra. Fragmentos da colisão formou a lua. Parte do meu povo conseguiu sobreviver. Parte do nosso planeta ficou na terra e a maior parte voltou para sua órbita normal. Tínhamos outra forma. Mas quando interagimos com os terrestres... Nossa raça foi sendo ... Modificada. Não conseguimos viver muito tempo na atmosfera terrestre . Por isso não estamos mais vivos. Não na forma terrestre. Todos os anunnakis estão mortos aqui na terra. Mas... Como temos uma capacidade maior, nos mantemos vivos no mundo dos mortos. Nossos espíritos continuam vivos. Claro que depende dos fatores que narrarei La embaixo.
Os sumérios nos chamavam de , os deuses astronautas da Suméria por causa da nossa tecnologia. Aproveitamos suas crença e medos para escravizá-los. Construimos pirâmides... Muitos monumentos ... Nossas pirâmides são admiradas até hoje!
Aos poucos fomos sendo eliminados pela atmosfera terrestre. Todos nós deixamos a forma material para a espiritual. Por centenas de anos ainda fazíamos parte da memória dos sumérios.
Com a vergonha de terem sido escravizados, os sumérios nos transformaram após a nossa queda, em apenas mitos. Mitos! Os sucessores dos sumerianos já não sabiam da verdade. Não sabiam que havíamos existido de verdade. Para os descendentes dos sumérios... Éramos apenas lenda, mito, estórias contada por camponeses! Tudo que aconteceu antes... Era apenas mitologia para os novos sumerianos! E assim, um passado de derrota e vergonha, foi totalmente esquecido!
Instruímos os sumérios. Os transformamos na cultura mais importante de todos os tempos! Os sumérios influenciaram as culturas de todos os cantos da terra! A obra literária sumeriana sobre seu quinto rei(Gilgamesh), deu origem a Epopéia de Gilgamesh que influenciou várias religiões!
Acho que sou o último dos Anunnakis ! Usamos uma quantidade maior do potencial do nosso cérebro. Temos um conhecimento maior. Dominamos o segredo das 11 dimensões! Somos uma espécie de fantasmas alienígenas. Vivemos através da energia vital humana. Temos que captar energia vital humana para sobrevivermos no mundo em que nos encontramos agora. Boa parte dos fantasmas são na verdade, Anunnakis. Continuamos vivos no mundo espiritual. Vivemos em uma das 11 dimensões. Somos... Fantasmas. Alienígenas fantasmas! Isso mesmo! Agora somos fantasmas de uma dimensão especial. E por causa da nossa maldade ... Por termos escravizados tantos humanos... Por tanto tempo... Foi lançada uma maldição a todos os anunnakis! A maldição nos obriga a vivermos conectados com os humanos. Por alguma razão que não conhecemos, somos selecionados por leis naturas, para sermos os protetores e captadores de energias do humano vivo. O humano seria uma espécie de avatar. Isso mesmo! Avatar! Nós os, poderosos fantasmas alienígenas anunnakis, dependemos do ser humano para continuarmos a existir no mundo espiritual. Acreditamos que se sobrevivermos até o nosso planeta passar de volta ao planeta terra. Como disse antes, de 3.600 anos em 3.600 anos, nosso planeta Nibiru, entra no sistema solar. E corpos devidamente preparados estarão esperando por nossos espíritos e ocuparemos novos corpos e finalmente voltaríamos para casa, o planeta Nibiru.
Fluidos da enregia vital humana nos mantêm vivos no mundo espiritual e... Eu e talvez alguns poucos da minha raça sobreviverão . A maldição lançada sobre nós, também está incluído a qualidade de fluidos a serem captados dos humanos. Quanto mais são bons... De coração bom... Mais energia revigorante adquirimos. Se for uma pessoa do mal, ruim... Maldosa... Pode até nos eliminar! Pode fazer com que desapareçamos de vez! Se soubéssemos quem é realmente bom... Seria fácil. Mas não temos essa escolha. Um elemento tão importante na captação de energia é uma coisa chamada ... Amizade. Amizade é a energia vital dos humanos mais importante para nós! Pena que os humanos ainda não perceberam a importância disso. Quem sabe ainda ha tempo?
No processo de capitação de energias...Fluidos... Ainda temos os concorrentes. Verdade. Os entes desses humanos também aproximam para captar o tão importante fluido de energia vital. Os fantasmas dos entes queridos também precisam dessa energia revigorante e que os ajudam ao longo do processo da viagem espiritual. Temos todo o cuidado para não sermos vistos pelos fantasmas humanos que sempre estão por perto. Se isso acontecer, perdemos a fonte de captação. No caso, o corpo do humano.
Captamos a energia quando o humano está dormindo. Devagar... Bem ... Devagar para o humano não acordar, pegamos lentamente em seu dedo ... Anelar e assim, captamos um mínimo de energia . Se o humano acordar... Nos sentiremos muito mal! Ah, ainda corre o risco do humano morrer. E se isso acontecer, somos aniquilados imediatamente! Viramos poeira cósmica! Desaparecemos para sempre!
os dedos polegar, indicador e o médio, são os que tem mais energia! Mas... O risco é maior! O risco de um humano acordar é maior! O dedo polegar, é o dedo que os pais, seguram para confortar seu ente querido. O dedo indicador é dos irmãos e melhores amigos. O dedo médio: primos e parentes distantes. O anelar, são dos fantasmas como nós e outros fantasmas perdidos na escuridão e que são do bem. Já o ultimo dedo... O dedo mindinho, é para os espíritos ruins ganharem um mínimo de luz. Eles não fazem mal aos humanos mas... Os deixa fracos e desconfortáveis e de alguma maneira atrapalha suas vidas no mundo dos vivos. Claro que depende do humano também. Se o humano está fazendo mal aos outros... Ele atrairá os fantasmas do dedo mindinho. Os fantasmas do mal.
Agora me encontro aqui, com esse durminhoco humano, esperando que ele seja do bem e que seja amado por seus amigos... E que sua energia me salve. E me permita voltar a minha casa, o planeta Nibiru. Acho que sou o último dos anunnakis.

Seu anelar está disponível? Rsrsr

(Obs.: Sobre os dedos: Eu estava dormindo quando tive a sensação que alguém segurava meu dedo anelar. Se foi sonho... Nao sei. Mas parecia real!rsrsr ///Fiz pesquisas na internet sobre os Anunnakis e os sobre os Sumerios. Povos sumerianos que viveram na antiga mesopotâmia. Hoje Iraque. Sobre serem fantasmas... Terem sido transformados em mitos... Tudo isso é fictício.Os anunnakis, fazem parte da MITOLOGIA dos povos sumerianos.)


Escrito por Heliomar Melo
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Escrevo com a emocao e com o coracao. Bem Vindo a Minha Mente!!